Brasília - Bombardeada pelo PT e pela oposição, uma proposta que abria brecha para um terceiro mandato presidencial durou poucas horas na Câmara dos Deputados. Protocolada na tarde de anteontem, a proposta de emenda constitucional caducou à noite, depois que vários parlamentares retiraram as assinaturas de apoio à iniciativa.
O deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) apresentou a emenda - que convocava referendo sobre a possibilidade de os governantes disputarem duas reeleições - com 194 assinaturas. Dessas, apenas 183 foram reconhecidas como válidas pela Mesa. O passo seguinte para sepultar o assunto foi a mobilização do PSDB e do DEM, que levou 12 oposicionistas a retirar o apoio à proposta. Com 170 assinaturas, a emenda ficou inviabilizada - 171 é o mínimo necessário para que comece a tramitar.
Barreto não escondeu que seu objetivo era beneficiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ''A iniciativa é um reconhecimento do povo do Nordeste ao trabalho do presidente Lula e às políticas públicas dele. Em momento de crise, é melhor que sejamos conduzidos por alguém com credibilidade externa e interna'', afirmou.
Mal o peemedebista terminou de falar e o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), avisou que a proposta não passaria. ''Vou orientar a bancada a votar contra'', insistiu. ''O presidente está preocupado com o País e a nossa candidata é Dilma.'' O líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), também criticou a iniciativa. ''Somos contra o terceiro mandato e essa é a posição do próprio presidente Lula.''
O projeto de Lula não é ficar mais quatro anos no poder agora, mas se candidatar novamente em 2014. ''Podem ficar tranquilos: ficará tudo como está'', disse o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. ''Temos de nos orgulhar da Constituição e de um presidente que tem 84% de popularidade e é o maior guardião dela.''
Se Jackson Barreto insistir na tentativa de aprovar um terceiro mandato, terá de começar do zero. Ele precisará coletar outras 171 assinaturas para reapresentar a proposta.
Campanha
Em manifesto lançado anteontem, a bancada do PT na Câmara preferiu não esticar a polêmica e observou que terceiro mandato significa emplacar Dilma no Planalto, em 2010. Preocupados com o futuro da aliança com o PMDB, deputados do partido iniciaram um movimento para pacificar a seara petista e pôr novamente de pé a campanha de Dilma.
Com seis folhas, o manifesto do PT é recheado de estocadas na direção do PSDB e da ''fúria privatizante neoliberal'', mote repisado pelo governo contra a CPI da Petrobrás. ''Por tudo isso nos sentimos tão à vontade diante do povo brasileiro para conquistar o feito histórico do terceiro mandato de um governo do PT, elegendo Dilma nossa presidenta'', destaca o texto.
Subscrita por 54 dos 78 deputados do PT, a carta diz que o partido não pode ser refém de ''mesquinharias, luta por cargos e guerra de tendências'' e prega a submissão da política de alianças regionais à parceria nacional com o PMDB.
''A nossa vitória em 2010 e a continuidade de nosso projeto político estão vinculadas à nossa capacidade de (...) solidificar um bloco de esquerda e agregar forças políticas de centro, principalmente o PMDB'', assinala o manifesto.

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