Curitiba - O presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (DEM), que sempre evitou entrar em conflitos com o Executivo, fez críticas enfáticas ontem à Proposta de Emenda à Constituição (PEC), de autoria do governo do Estado, que prevê a divulgação mensal via internet de todas as despesas dos três Poderes. A ‘‘PEC da Transparência’’, como foi batizada, foi enviada ao Legislativo no último dia 28, mas Justus já deu sinais claros de que não pretende colocá-la em votação tão cedo. ‘‘A PEC trata de um tema requentado, que demonstra falta de assunto do governo do Estado. Eu não vou entrar nessa. Nem vocês (imprensa), nem o governador Requião vão me pautar’’, disparou Justus, que raramente bate de frente com o Executivo, tanto que assumiu a Assembléia, no início do ano passado, com o apoio da bancada da situação.
  Questionado sobre quando a PEC deverá ser votada, Justus disse que a Casa ‘‘tem outras prioridades’’. ‘‘A Assembléia tem coisas mais importantes na pauta’’. Justus disse que a assessoria jurídica da Casa já concluiu um parecer sobre a PEC, mas que ainda não tem o resultado em mãos. ‘‘Não fui pegar. Desde o primeiro dia eu disse que não tenho a menor pressa em trazer a PEC ao plenário. E, na verdade, nem o Executivo tem me pressionado para votar.’’
  Justus completou ainda que não vê necessidade na divulgação dos gastos. ‘‘Todo mundo sabe que os deputados estaduais têm direito a verbas para contratação de funcionários e para despesas com gasolina, restaurante, correio e telefone.’’ O presidente também comentou que nem o próprio governo estaria cumprindo hoje com o que determina a PEC e que a imprensa deveria cobrar, então, dos demais Poderes - Executivo e Judiciário. ‘‘Nós já somos julgados a cada quatro anos.’’

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