PEC condiciona incentivos fiscais à manutenção de empregos
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Integrantes da base aliada ao governo do Estado na Assembleia Legislativa, com o apoio de parlamentares da bancada da oposição, protocolaram ontem uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que condiciona incentivos fiscais à manutenção ou ampliação de empregos. A ideia foi sugerida terça-feira passada pelo governador do Estado, Roberto Requião
(PMDB), na tentativa de evitar demissões justificadas pela crise econômica internacional.
Segundo o líder da base aliada, Luiz Cláudio Romanelli
(PMDB), a PEC não irá valer de forma retroativa. Assim que entrar em vigor, a partir daí, todas as empresas que recebem benefícios fiscais devem assumir o compromisso de manter ou ampliar os postos de trabalho, explica ele. A tramitação da PEC na Casa, segundo previsão do próprio peemedebista, é de 40 a 50 dias.
Pelo Regimento Interno, será criada uma comissão especial, composta por cinco parlamentares, para analisar a PEC. A comissão tem um prazo de 20 dias para apresentar um parecer. Em seguida a PEC segue para um primeiro turno de votação no plenário. O segundo e último turno de votação só ocorre depois de um intervalo de cinco sessões plenárias.
Pelo texto da PEC, com exceção no disposto em trecho do artigo 155 da Constituição Federal, os incentivos e benefícios fiscais e creditícios serão outorgados a empresas que assumam o compromisso de ampliar ou manter postos formais de trabalho. Segundo Romanelli, a PEC atingiria qualquer empresa (independente do seu porte), mas há uma ressalva quanto aos tipos de incentivos fiscais. Aqueles benefícios amparados pela legislação federal não podem ser atingidos por uma PEC estadual. O peemedebista não sabe quantas empresas recebem hoje incentivos fiscais do Estado.
Romanelli acredita que a pasta da Fazenda teria condições de fiscalizar o cumprimento da emenda, mas admite que as regras ainda precisam ficar mais claras. Eu acredito que a lei é autoaplicável, mas, como nós temos uma gama de incentivos fiscais, é possível que tenha que detalhar depois, o que pode ser feito através de uma lei ordinária ou mesmo de um decreto. Dados divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), por exemplo, seriam levados em conta pela Fazenda na obtenção de informações sobre o número de trabalhadores.
Apesar de admitir que a proposta não apresenta detalhes, Romanelli tem certeza de sua aprovação no Legislativo. Não podemos ficar de braços cruzados. A sociedade paranaense optou por abrir mão daquela receita para as empresas manterem os empregos. Não é na primeira dificuldade que se demite um trabalhador, justifica.
A Reportagem procurou ontem a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) para tratar da PEC, mas a assessoria de imprensa da entidade informou que não há nenhuma avaliação sobre o impacto da medida.


