Pé no chão e deslumbramento
Brasília - Passados cinco meses de governo, o presidente chegou à conclusão, ainda, de que alguns dos integrantes do primeiro escalão ficaram ''deslumbrados demais'' com a Esplanada dos Ministérios. Entre os que se encaixam nesse diagnóstico, figura o ministro do Planejamento, Guido Mantega, a quem é atribuída falta de ''jogo de cintura''. Na avaliação de Lula, conta um de seus auxiliares, os ministros que mais acertam são os que já conheciam o Congresso - caso de Miro, Palocci e Ciro - ou que se adaptaram rapidamente à nova situação - como Dilma. Mantega, pelo contrário, ''não entendeu que trabalha em Brasília'', que tem uma função não só técnica, mas também política, e não pode desprezar os parlamantares.
A oposição acha que o centralismo das decisões de Lula ocorre porque o Planalto não tem um projeto claro e definido de administração nem possui um diagnóstico que possa apontar qual caminho tomar. ''O governo vem exagerando nas intervenções tópicas, para mostrar que dispõe de um aparato para compensar sua falta de diagnóstico. Já que não sabe o que fazer, tenta mostrar à sociedade que tem poder de intervenção'', avalia o economista Paulo Rabelo de Castro, do Instituto Atlântico, que dá consultoria ao PFL.
''Noto nas decisões do presidente alguns resquícios do intervencionismo dos anos 80. Mas a fórmula não pode ser igual (...). O governo se vê obrigado a repetir a arenga conservadora internacional, de engolir juros altos. Acaba se afastando dos cacoetes do passado para ter cacoetes manjados do presente'', completa Rabelo de Castro.





