Leandro Donatti
De Curitiba
A mesa executiva da Assembléia Legislativa ainda não afinou seu discurso sobre o polêmico Plano de Demissão Voluntária (PDV), proposto pelo presidente da Casa, Nelson Justus (PTB), para incentivar o desligamento de cerca de 700 funcionários estáveis e tidos como ‘‘fantasmas’’ por receberem salário sem trabalhar. Ontem pela manhã, o secretário-geral da Assembléia, Hermas Brandão (PTB), disse em entrevista à Folha que a idéia do PDV ‘‘está congelada’’. À tarde, Justus trombava com o secretário e reafirmava que a proposta de PDV está quase pronta e sai em fevereiro.
Responsável pelas contratações e exonerações de funcionários, Hermas afirmou que o PDV pode esperar e que ele próprio vai continuar chamando os funcionários que não estão trabalhando a contento da Casa para propor-lhes demissão. O secretário-geral faz isso desde setembro do ano passado. Semanalmente, ele diz mandar cerca de 50 servidores embora. Hermas admite que as demissões foram ágeis porque a maioria dos detentores dos cargos – boa parte fantasmas – não tinha estabilidade, ao contrário dos 700 que entraram na AL via concurso.
Justus, por sua vez, bateu na tecla de que o seu PDV não é para favorecer quem não trabalha. ‘‘Em vez de fantasma, vamos usar o termo prescindível’’, voltou a sugerir. Justus disse que teme que a designação fantasma afaste de seu PDV funcionários que andam descontentes com o salário e que poderiam se ajustar no plano de enxugamento. ‘‘Quero esse PDV para fevereiro. Se disser que é para fantasma, ninguém aparece’’, ressaltou Justus. Na entrevista, o deputado não negou que um PDV afugenta fantasmas.
‘‘Não vamos fazer PDV para incentivar fantasma. A Assembléia vai ficar com o quadro que necessita (cerca de 1.500 funcionários). Vamos pagar os direitos trabalhistas que lhes cabem e nada mais’’, declarava Hermas horas antes. O secretário disse que a mesa executiva vai criar mecanismos para forçar o retorno dos fantasmas.
Atualmente, não há um controle da presença dos funcionários no trabalho, ‘‘conferida’’ por um arcaico livro-ponto que corre pela casa. O sistema é falho, porque dá brechas para que os fantasmas assinem uma só vez pelo mês inteiro. Hermas confirmou a deficiência e disse ontem que a Assembléia vai implantar um novo sistema de controle. Nesse ponto, pelo menos, os dois estão afinados. Justus disse dias atrás que pode reinstalar o livro-ponto diário.
Ninguém da Assembléia confirma oficialmente, mas nos bastidores corre a versão de que a intenção de Hermas, de frear o PDV, foi tomada por conta da repercussão negativa da medida que, em vez de punir o fantasma com processo administrativo e demissão, oferece vantagens como o pagamento de um salário por ano não trabalhado. Justus, entretanto, não estaria interpretando assim a sua decisão.
Os deputados pisam em ovos quando o assunto é fantasma. A Folha apurou que na categoria estão jornalistas, filhos, amigos e parentes de políticos, ex-prefeitos, ex-vereadores e ex-deputados.Presidente Justus reafirma que plano para os 700 ‘‘ausentes’’ sai no mês que vem; secretário Hermas diz que ele está congelado
Arquivo FolhaGARANTIANelson Justus, o presidente: ‘‘Quero esse PDV para fevereiro’’Arquivo FolhaNADA FEITOHermas, o secretário: ‘‘Não vamos fazer PDV para incentivar fantasma’’

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