Kraw PenasFiascoLíderes da esquerda durante a reunião: frustração principalmente dos petistas, que gostariam de fechar acordo com o PDT para 98Fracassou a primeira tentativa dos partidos de esquerda do Paraná em garantir apoio antecipado do PDT para as eleições do ano que vem. Com medo de uma debandada geral do que restou do ‘espólio’ do governador Jaime Lerner (PFL) na sigla, o presidente da comissão provisória do PDT Nelton Friedrich disse ontem durante uma reunião em Curitiba que o momento não é de falar em alianças e que o partido ‘‘está empenhado’’ em lançar candidaturas próprias nas chapas majoritária e proporcional.
Nova conversa só deve ocorrer depois de 3 de outubro, quando os interessados em concorrer à disputa do ano que vem ficam ‘engessados’ automaticamente pela legislação eleitoral a mudar de sigla. A ‘leitura’ que se faz internamente no PDT é de que uma manifestação da provisória já poderia provocar mais inquietação na sigla. Muitos pedetistas, ligados ao governador Jaime Lerner e que estariam dispostos a adiar suas definições partidárias, não vêem com bons olhos uma coligação com a esquerda.
Oficialmente, Friedrich diz que o único ponto que une PDT e os partidos de esquerda no Estado (leia-se PT, PCB, PC do B, PV, PPS e PSB) hoje é uma articulação nacional costurada pelo ex-governador Leonel Brizola e pelo comando nacional do PT. ‘‘Pode haver no Paraná uma aproximação mais para frente, desde que em torno do projeto do PDT’’, avisa. Friedrich não quer que o PDT fique a reboque de nenhuma sigla.
Derrotados mas dispostos a insistir no ‘namoro’ com os pedetistas, os representantes das esquerdas tentaram minimizar ontem o fracasso do primeiro contato com o PDT. O presidente estadual do PT, ex-deputado Pedro Tonelli, disse que ‘‘existe muita coisa em comum entre as siglas’’. ‘‘Vamos aguardar novo contato. Sabemos que a nova direção está cumprindo o seu papel político de reconstruir o partido em todo o Estado e não temos pressa’’, adiantou Tonelli.
Na próxima segunda-feira, PT, PCB, PPS, PV e PC do B voltam a se reunir em Curitiba para definir um plano de ação conjunta. O PSB também deve comparecer, mas continua com uma participação discreta nas costuras das esquerdas. As ameaças de ‘intervenção branca’ feitas pelo comando nacional - que atendendo um apelo do prefeito de Curitiba Cássio Taniguchi (PFL) quer um acerto político com o grupo do governador - fizeram o presidente do PSB estadual Vitório Sorotiuk recuar.

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