Em pleno debate para o registro de candidaturas às eleições de outubro, em Londrina, são as eleições proporcionais de 2008 que ainda estão rendendo polêmica dentro e fora dos bastidores. Ontem, representantes da executiva municipal do PDT anunciaram que, em reunião na véspera, à noite, foi debatida e aceita a expulsão do vereador Joel Garcia dos quadros do partido. Desafeto declarado do prefeito Barbosa Neto (PDT), Joel teria infringido o acordo firmado em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado este ano com a executiva. A proposta, segundo o secretário-geral do PDT, Claudemir Stachetti, seria que o parlamentar não votaria contrariamente, na Câmara, a projetos de interesse do PDT.

O estopim de uma crise entre as partes, anunciada ainda nos 100 primeiros dias de gestão de Barbosa - período em que Joel deixou a liderança do prefeito na Casa -, foi o voto do pedetista, esta semana, contra o projeto do Executivo que previa a realização de Parcerias Público-Privadas (PPPs) pela Prefeitura. A matéria, ainda em primeiro turno, havia recebido sugestões de entidades da sociedade civil organizada debatidas em uma audiência pública. Eram necessários 13 votos favoráveis para avançar à segunda discussão - recebeu 12.

Na coletiva semanal, ontem de manhã, Barbosa preferiu não polemizar. ''Essa é uma questão do partido, e eu não sou mais presidente do PDT. Lamentamos que isso (voto contra as PPPs) tenha ocorrido, mas vamos procurar essas entidades e juntamente com a Câmara encontrar uma alternativa, porque a maioria votou favoravelmente'', definiu. Já o secretário do PDT, que também é comissionado ligado à Educação, foi mais enfático. ''Vamos comunicar o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a executiva do partido e o próprio vereador, pois esse TAC que assinou é um documento que está registrado em cartório eleitoral'', afirmou Stachetti.

Na sessão de ontem, Joel disse que não se considera expulso da legenda - alegou que não fora notificado de qualquer decisão da executiva. ''Pelo princípio da simetria entre os poderes, a Lei Orgânica do Município está abaixo das Constituições Estadual e Federal - e esta veda, em relação às PPPs, pontos que eram colocados no projeto e aos quais, quando eu estava na comissão de Finanças, já havia dado parecer contrário. Não é porque não estou mais na comissão que vou votar em algo ilegal, sou advogado'', disse. Sobre o TAC arguido pelo PDT, resumiu: ''A questão era estar a favor de projetos defendidos pelo PDT, mas projetos legais. Tanto que alertei outros vereadores do partido sobre a minha posição, ainda na (Comissão de) Finanças''.

Sobre o pedido do mandato pelo partido, o vereador sublinhou: ''Isso só pode ser feito depois de eu recorrer à executiva estadual, com o Osmar (Dias, presidente dela), ou à nacional, caso a estadual não aceite as minhas alegações'', encerrou. Se hoje ele se sente confortável no PDT? ''Sim, mas não pela condução de alguns membros'', alfinetou. (Colaborou Eli Araújo)

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