PDT pode expulsar Barbosa Neto por desobediência
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
O deputado federal Barbosa Neto corre o risco de ser expulso do PDT. Ele recebeu ontem notificação exigindo explicações por ter votado contra a prorrogação da CPMF e pode perder a filiação caso mantenha a sua posição. O documento é assinado pelo presidente nacional da sigla, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, que justifica a notificação lembrando que o parlamentar votou contra uma deliberação partidária. Segundo Lupi, a Executiva Nacional deliberou, em reunião realizada no dia 11 de setembro, o fechamento de questão para a votação favorável à prorrogação da CPMF.
Na sessão de ontem Barbosa Neto subiu à tribuna e lamentou a decisão. ''Não quero afrontar a direção nacional, mas não posso votar a favor de um projeto que aumenta ainda mais a carga tributária brasileira, que é a mais alta do mundo'', disse. O deputado acrescentou que, ao contrário de outros deputados, não se omitiu, não fugiu do plenário ou inventou viagem de última hora para escapar da votação.
Mais tarde, em entrevista à FOLHA, Barbosa acrescentou: ''Eles alegaram que eu infringi o artigo 14 combinado com o 56, alínea 'j' do estatuto do partido. Fecharam questão na resunião do dia 11 e, segundo o partido, desrespeitei a orientação e serei levado à comissão de ética''.
O deputado disse ainda que o seu voto foi consciente. ''Assumo os riscos e as responsabilidades, mas me sinto muito chateado. Não queria sair do partido que sou filiado desde 1990.'' Ele admitiu, porém, que se trata de uma situação delicada. ''Na semana que vem vou apresentar a minha defesa por escrito (...) tenho maior respeito pelo ministro Carlos Lupi, mas me baseei no próprio estatuto do partido que prevê que o PDT é contrário ao aumento da carga tributária. É um imposto muito perverso. Eu iria me violentar se votasse a favor.''
O deputado é pré-candidato a prefeito de Londrina e admitiu que a possibilidade de expulsão do partido faltando pouco tempo para o fim do prazo para filiações partidárias é um complicador (o prazo para que as filiações sejam registradas no cartório eleitoral é 5 de outubro). ''Estou muito preocupado justamente por isso. Não me vejo fora do PDT e não me sinto fora do partido. Não consegui assimilar ainda os desdobramentos. Vou esperar que o partido possa me absolver.'' Ele descartou, porém, que esteja fora da disputa pela prefeitura: ''Espero disputar a eleição pelo PDT, mas não que isso me afaste da disputa. Se eu for expulso do PDT, vou ter que encontrar um espaço para poder disputar''.
Segundo fontes do partido ouvidas pela reportagem, a posição de Barbosa surpreendeu a direção nacional, já que ele sempre se alinhou às teses ideológicas do PDT. No passado, o voto do deputado - que contrariou uma deliberação tomada em reunião oficial, seria encarado como uma traição e motivo para expulsão imediata. Mas em se tratando de um antigo filiado, que vai disputar a prefeitura de um importante município do Sul do País, provavelmente a questão será analisada ''com muito carinho e mais tolerância''.
De acordo com um dos membros do diretório nacional do PDT, Barbosa não deverá receber uma punição tão severa como a expulsão, mas há uma preocupação em não abrir precedentes. ''Daqui a uns 10 dias tem nova votação da CPMF. Vamos ver como ele vai se comportar.''


