PDT pede cassação do mandato do senador Saturnino Braga
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de julho de 2003
Agência Estado 
Rio de Janeiro- O Conselho de Ética do Senado receberá na próxima semana um pedido formal de cassação do mandato do senador Saturnino Braga (PT-RJ) encaminhado pela direção nacional do PDT. O argumento dos dirigentes pedetistas é que Saturnino quebrou o decoro parlamentar ao não cumprir um acordo feito com o suplente pedetista Carlos Lupi de dividir com ele o mandato, caso fosse eleito. Segundo Lupi, o trato fez parte da negociação para a aliança do PSB (partido de Saturnino na época) com o PDT e o PT nas eleições do Rio de Janeiro em 1998. Pelo acordo, cada um ficaria no Senado por quatro anos. O tempo de Saturnino já passou, mas Lupi não assumiu a vaga.
Documentos reunidos pela cúpula do PDT, como a carta de compromisso assinada por Saturnino em 6 de julho de 1998 prometendo dividir o mandato, foram encaminhadas ao Conselho de Ética. Saturnino reconhece a existência do acordo, que hoje considera um erro, mas argumenta que o cenário político mudou completamente nos últimos anos e, portanto, não haveria motivo para abrir mão de seu mandato em favor de um suplente que não é sequer mais aliado.
A chapa PDT-PT-PSB foi vitoriosa em 1998, com Saturnino eleito senador, o então pedetista Anthony Garotinho eleito governador e a petista Benedita da Silva, vice. No entanto, com menos de um ano de governo Garotinho e Benedita romperam e a aliança foi desfeita.
Embora o PDT tenha o ministro das Comunicações, Miro Teixeira, hoje o presidente nacional da legenda, Leonel Brizola, é um dos mais duros críticos do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Saturnino, por sua vez, brigou com o PSB por discordar da candidatura de Garotinho à Presidência da República e foi para o PT de Lula.
As críticas de Brizola ao presidente Lula o estão aproximando de Garotinho, um antigo desafeto, expulso do PDT em 2000 e agora em fase de expulsão do PSB. Atual secretário de Segurança Pública do Rio, Garotinho também tem sido duro nos ataques à política econômica e à reforma previdenciária do governo federal. ''Estamos enfrentando a mesma questão nacional'', diz Carlos Lupi, vice-presidente do PDT, referindo-se a Garotinho.
As conversas com Brizola por enquanto foram de iniciativa de uma das filhas de Garotinho, Clarissa. Os pedetistas reconhecem, porém, que em pouco tempo o próprio secretário deverá ter uma conversa com algum líder pedetista.


