São Paulo - Um dia depois de o PR anunciar que passou para a oposição no Senado, o líder do PDT, senador Acir Gurgacz (PDT-RO), foi à tribuna da Casa ontem para, segundo ele, ''tranquilizar'' a presidente Dilma Rousseff sobre a fidelidade do partido ao governo. As informações são da Agência Brasil. Gurgacz disse que o PDT não precisa de cargos para ser aliado e votar a favor dos projetos do governo, ''quando eles forem de interesse do país''. ''Nós queremos mandar uma mensagem de tranquilidade, de que o PDT vai continuar apoiando o governo e a presidenta Dilma, independentemente de estarmos com ministério'', disse Gurgacz.
Segundo ele, cabe à presidente definir quem ela quer indicar para o Ministério do Trabalho, que até o ano passado era comandado pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. Depois de denúncias de irregularidades na pasta, o ministro pediu demissão e, desde então, o partido discute com o governo uma nova indicação.
Os nomes dos deputados Manoel Dias (PDT-SC), Brizola Neto (PDT-RJ) e Vieira da Cunha (PDT-RS) foram levantados nas negociações que estavam sendo comandadas pelos representantes do partido na Câmara. No entanto, os senadores não querem condicionar o apoio, nem a sua independência na hora de votar contra o governo, à indicação para o ministério e desautorizaram os deputados do partido de negociar em nome do Senado. ''Não vejo legitimidade em deputados federais para falar em meu nome à presidente da República'', disse o senador Pedro Taques (PDT-MT).
Para ele, o partido só terá condição de se manter à vontade em votações relevantes para o governo se não condicionar o apoio à vaga no ministério. ''O PDT não pode apoiar a presidente da República em situações não republicanas. Um partido político não pode ser um partido que só pleiteie cargos de ministro'', afirmou Taques.
Na mesma linha, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse em plenário que é contra a presença do partido no Trabalho. Para ele, a presidente Dilma não deveria indicar ninguém por filiação partidária. ''Ela prestaria um grande serviço ao PDT e ao país se não indicasse ninguém'', disse Buarque.
Apesar de negar que haja desconforto dos senadores pedetistas com a negociação pela pasta que vem sendo feita pelos deputados da sigla, o líder Gurgacz admite que a Câmara e o Senado têm lideranças diferentes. ''Ninguém fala por nós senão nós mesmos'', disse ele. Gurgacz negou também que a manifestação em plenário seja um recado dos senadores para o governo ou para os colegas de partido. ''Será que é difícil ter um partido que não precise de cargos para apoiar o governo?'', perguntou.
Desde a semana passada, Dilma enfrenta uma crise política no Congresso. A rebelião na base aliada do governo começou quando Bernardo Figueiredo, homem de confiança de Dilma, foi barrado para a direção-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
O motivo admitido pelos governistas seria a insatisfação dos senadores, em especial os peemedebistas, com a falta de interlocução com o governo. A recondução de Bernardo Figueiredo ao cargo era apoiada pela presidente.
Esta semana, Dilma decidiu trocar os líderes do governo na Câmara e no Senado. A mudança agitou os parlamentares governistas e nenhuma votação relevante foi realizada em nenhuma das duas Casas.
Por fim, o PR no Senado decidiu romper de vez com o governo e passar para a oposição depois que o líder do partido, senador Blairo Maggi (MT), disse que as ''portas foram fechadas'' pelo governo. O PR tentava ter de volta o Ministério dos Transportes e não foi atendido pela presidente.

mockup