A direção nacional do PDT aguarda a formalização da troca partidária do governador Jaime Lerner para decretar uma ‘intervenção branca’ no Paraná. O tesoureiro nacional do partido, Carlos Lupe, disse ontem que o presidente nacional do PDT, ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, vem mantendo contatos com um grupo de pedetistas disposto a assumir o comando do partido no Estado, depois da saída do governador.
Lupe explica que ‘‘em hipótese alguma o comando nacional permitirá que o PDT do Paraná apóie a candidatura à reeleição do governador Lerner’’. ‘‘Não podemos concordar que o PDT entre nessa linha neo-liberal e se transforme num órgão auxiliar do PFL. O momento deve ser de reestruturação’’, avalia o tesoureiro geral, que já dá como certa a transferência do governador para o partido do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
‘‘Estamos nos sentindo traídos. A separação já está anunciada há tempo e o traidor foi mais longe do que esperávamos. Tentou se entregar a outro partido (o PSDB), mas foi rejeitado. Lerner chegou no compasso do ridículo’’, esbravejava ontem Carlos Lupe. Segundo ele, a direção nacional aguarda uma visita do governador do Paraná desde quinta-feira passada. ‘‘O ex-governador Brizola ficou plantado à toa e agora já decidiu falar pessoalmente com Lerner no Paranᒒ, ameaça.
Lupe diz que Brizola já identificou o grupo que deverá ser o responsável pela ‘intervenção branca’ - que ele prefere chamar de ‘‘reestruturação partidária’’. Segundo ele, Brizola confiou a missão ao prefeito de Londrina, Antonio Belinati; à vice-governadora, Emília Belinati; ao vice-prefeito de Curitiba, Algaci Túlio; e ao ex-deputado federal Nelton Friedrich. ‘‘Eles estão dispostos a organizar a sigla’’, garante.
O prefeito de Londrina, Antonio Belinati, confirma as conversas com Brizola e diz que a maior preocupação do grupo é que ‘‘o PDT permaneça nas mãos de pedetistas’’. Assim como o comando nacional, o prefeito entende que o partido não pode servir de ‘‘estepe’’ de políticos. E que um eventual apoio a Lerner deve ser definido mais tarde, acompanhado de ampla discussão.
A ‘intervenção branca’ no Paraná servirá para reforçar ainda o plano nacional de aproximação do PDT com o PMDB do senador Roberto Requião. Segundo Lupe, há uma orientação da executiva nesse sentido. O presidente estadual do PDT, José Francisco Pereira já acusa alguns ex-militantes - ligados ao PMDB - de estarem se aproveitando da crise interna criada por Lerner para abrir espaço para Requião.
Pereira classificou os ex-pedetistas José Carlos Mendes, Tadeu França, Paulo Furiatti e Edi Siliprandi como ‘‘a corja que tenta reassumir o partido no Paranᒒ. (L.D.)

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