PDT nacional ameaça intervenção no Paraná
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segunda-feira, 21 de julho de 1997
Curitiba 
A direção nacional do PDT aguarda a formalização da troca partidária do governador Jaime Lerner para decretar uma intervenção branca no Paraná. O tesoureiro nacional do partido, Carlos Lupe, disse ontem que o presidente nacional do PDT, ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, vem mantendo contatos com um grupo de pedetistas disposto a assumir o comando do partido no Estado, depois da saída do governador.
Lupe explica que em hipótese alguma o comando nacional permitirá que o PDT do Paraná apóie a candidatura à reeleição do governador Lerner. Não podemos concordar que o PDT entre nessa linha neo-liberal e se transforme num órgão auxiliar do PFL. O momento deve ser de reestruturação, avalia o tesoureiro geral, que já dá como certa a transferência do governador para o partido do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Estamos nos sentindo traídos. A separação já está anunciada há tempo e o traidor foi mais longe do que esperávamos. Tentou se entregar a outro partido (o PSDB), mas foi rejeitado. Lerner chegou no compasso do ridículo, esbravejava ontem Carlos Lupe. Segundo ele, a direção nacional aguarda uma visita do governador do Paraná desde quinta-feira passada. O ex-governador Brizola ficou plantado à toa e agora já decidiu falar pessoalmente com Lerner no Paraná, ameaça.
Lupe diz que Brizola já identificou o grupo que deverá ser o responsável pela intervenção branca - que ele prefere chamar de reestruturação partidária. Segundo ele, Brizola confiou a missão ao prefeito de Londrina, Antonio Belinati; à vice-governadora, Emília Belinati; ao vice-prefeito de Curitiba, Algaci Túlio; e ao ex-deputado federal Nelton Friedrich. Eles estão dispostos a organizar a sigla, garante.
O prefeito de Londrina, Antonio Belinati, confirma as conversas com Brizola e diz que a maior preocupação do grupo é que o PDT permaneça nas mãos de pedetistas. Assim como o comando nacional, o prefeito entende que o partido não pode servir de estepe de políticos. E que um eventual apoio a Lerner deve ser definido mais tarde, acompanhado de ampla discussão.
A intervenção branca no Paraná servirá para reforçar ainda o plano nacional de aproximação do PDT com o PMDB do senador Roberto Requião. Segundo Lupe, há uma orientação da executiva nesse sentido. O presidente estadual do PDT, José Francisco Pereira já acusa alguns ex-militantes - ligados ao PMDB - de estarem se aproveitando da crise interna criada por Lerner para abrir espaço para Requião.
Pereira classificou os ex-pedetistas José Carlos Mendes, Tadeu França, Paulo Furiatti e Edi Siliprandi como a corja que tenta reassumir o partido no Paraná. (L.D.)


