Brasília - O ministro da Previdência, Nelson Machado, confirmou ontem sua saída da pasta. A reforma ministerial, negociada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), levará o atual ministro do Trabalho, Luiz Marinho, para a Previdência, enquanto o presidente do PDT, Carlos Lupi, assume a pasta do Trabalho e Emprego. O partido integra o governo de coalizão e aguardava uma definição do presidente.
Questionado por jornalistas se será substituído pelo atual ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e quando seria a transmissão do cargo, Machado respondeu: ''Vai ser amanhã (hoje). Para o Luiz Marinho, é o que está definido''. Machado foi ministro interino do Planejamento e, depois, assumiu a Previdência Social. Atualmente, comandava o processo de discussão do Fórum Nacional da Previdência Social, que busca alternativas de gestão para o setor, em conjunto com especialistas, representantes do governo e da sociedade civil.
Machado disse ainda que recebeu convite para trabalhar com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. No entanto, ele não revelou onde iria atuar. ''Eu tenho um convite do ministro para trabalhar com ele. Não está definido onde. Mas minha prioridade é tirar férias. Estou dois anos sem férias'', afirmou, ressaltando que na noite de terça-feira reuniu-se com o ministro da Fazenda.
Em nota oficial, o PDT confirmou que o presidente do partido, Carlos Lupi, irá assumir hoje o Ministério do Trabalho. Lupi é ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro e está na presidência do partido desde a morte de Leonel Brizola. É ex-secretário dos Transportes e ex-secretário de Governo do estado do Rio de Janeiro.
Luppi chegou a ser anunciado como o novo ministro da Previdência, mas durante uma reunião na terça-feira à noite, o presidente decidiu fazer uma alteração de última hora na reforma ministerial. ''Acabei de confirmar com o presidente e vou para o ministério do Trabalho. Achamos que era melhor para o partido. O Ministério do Trabalho é a razão de ser do trabalhismo'', disse Lupi.
Luiz Marinho, titular do Trabalho, foi chamado ao Palácio do Planalto por volta das 21h de terça-feira. Lula discutiu com ele o remanejamento para a pasta da Previdência. Lupi e o PDT se colocavam publicamente contrários a reformas na área. Para evitar o constrangimento, o presidente da República pensou na alternativa envolvendo o Trabalho.
Marinho terá que fazer um sacrifício indo para a Previdência. Ele ficará no governo até abril do ano que vem, quando será candidato a prefeito de São Bernardo do Campo.
Lula deve concluir a reforma nesta semana. Ele convocou para a próxima segunda-feira uma reunião ministerial em que pretende anunciar todo o primeiro escalão de seu segundo mandato.
A reunião será uma forma de anunciar o fim da reforma ministerial, que se arrastou por cinco meses, e os nomes dos 36 ministros que integrarão o primeiro escalão de governo. Waldir Pires (Defesa) deve ser substituído num segundo momento, pós-reforma e diante de um eventual esfriamento da crise aérea.
Para cada ministro oriundo do primeiro mandato, a reunião será um carimbo de continuidade no cargo. Se enquadra nessa situação o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel (PT-RS), que, por meio de seu gabinete, recebeu o convite do Planalto para a reunião de segunda-feira - a primeira do segundo mandato.

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