Dezesseis anos após o ‘racha’ que os separou em dois partidos, os trabalhistas brasileiros buscam acabar com a separação ocorrida na redemocratização, quando dividiram-se em petebistas e pedetistas. Se sair mesmo a fusão das legendas, PTB e PDT esperam ampliar sua atuação no Congresso, onde teriam uma bancada de 52 deputados e mais espaço nas comissões, mas o principal motivo da união é o lançamento da candidatura do governador Jaime Lerner à Presidência da República.
‘‘Não há dúvidas de que com este movimento pavimentamos o caminho do nosso candidato à Presidência da República, que é o Jaime Lerner’’, diz o deputado federal Fernando Ribas Carli (PDT-PR), um dos articuladores no Congresso da fusão dos partidos.
Segundo Carli, a fusão começou a ser discutida entre ele e o também deputado federal Paulo Cordeiro (PTB-PR) há cerca de um mês. ‘‘Estamos articulando com os deputados das duas bancadas e com as forças vivas dos dois partidos para medir a aceitação da proposta. A receptividade tem sido excelente e as perspectivas até agora são as mais favoráveis possíveis’’, diz.
Pelo lado do PTB, o deputado Nelson Justus, secretário estadual da Indústria e Comércio, admite que o lançamento da candidatura de Lerner à Presidência é o ponto mais fácil no processo de fusão dos partidos - ‘‘o PDT custou a entender que o Lerner é sua principal liderança’’, diz - e que em nível local as divergências podem ser mais difíceis de contornar: ‘‘Não sei se em todo o País há a mesma harmonia que no Paranᒒ. Carli emenda: ‘‘Na várzea, às vezes, é mais difícil de resolver, mas vamos trabalhar para resolver, com cada um cedendo um pouco’’.
Os ‘caciques’ dos dois partidos encomendaram aos diretórios regionais e municipais um levantamento de eventuais problemas locais entre as legendas. ‘‘É claro que a decisão acaba sendo tomada de cima para baixo, mas estamos fazendo consultas para evitar melindres’’, diz Justus.
‘‘Passaremos de um partido pequeno para médio com intenções de ser grande, pois há indicações de adesão de muitos parlamentares que não estão satisfeitos em seus partidos’’, diz Carli. Ele descarta a adesão de outros partidos à nova legenda e desconversa sobre possíveis defecções de atuais pedetistas e petebistas descontentes com a fusão.
Ainda não há qualquer definição sobre a nova sigla de um eventual novo partido unindo as duas legendas. Como é natural, os petebistas defendem a manutenção da silga de seu partido. ‘‘Acho a sigla PTB mais forte, a ponto de, no Sul do País, os eleitores votarem apenas na legenda, o que só acontece também com o PT’’, diz Justus.
A vice-governadora Emília Belinati (PDT) avalia como oportuna a fusão de seu partido com o PTB, embora sugira uma maior discussão do assunto em nível nacional. ‘‘No Paraná o relacionamento (entre os partidos) é ótimo; fora daqui, o assunto tem que ser discutido’’, afirma. Ela analisa que as fusões partidárias são um refluxo na multiplicação de legendas ocorrida após o fim do bipartidarismo no País e podem ajudar a fortalecer institucionalmente os partidos políticos.

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