BRASÍLIA - O PTB e o PDT estão preparando o processo de fusão. O novo partido trabalhista ainda está sem nome, mas já tem chapa para disputar a sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso em 1998. O candidato a presidente será o governador do Paraná, Jaime Lerner (PDT), e o vice, o ex-governador de Minas Gerais Hélio Garcia (PTB).
O novo partido deverá ter 52 deputados (27 do PTB e 25 do PDT), o que lhe dá lugar entre os médios, com a novidade de se apresentar como centro-esquerda. ‘‘O Fernando Henrique é uma opção de centro; o Paulo Maluf, de centro-direita’’, afirmou o deputado Paulo Cordeiro (PTB-PR). ‘‘Falta a opção de centro-esquerda’’, disse.
O projeto de fusão dos trabalhistas está sendo feito pelos deputados Paulo Cordeiro, Vicente Cascione (PTB-SP), Philemon Rodrigues (PTB-MG), Matheus Schmidt (PDT-RS), Silvio Abreu (PDT-MG) e Fernando Ribas Carli (PDT-PR). Eles se reuniram há 15 dias na liderança do PDT e decidiram iniciar os estudos para a fusão. Imediatamente pediram aos representantes dos partidos nos Estados um relato de como é o relacionamento entre eles, os grandes problemas e as negociações.
Foi fechado um acordo provisório segundo o qual o principal ponto para a união dos dois partidos é a candidatura de Jaime Lerner à Presidência da República. ‘‘Mesmo que a reeleição passe’’, afirmou o deputado Paulo Cordeiro.
Jaime Lerner usou ontem o debate sobre reeleição na comissão especial da Câmara para divulgar os pontos de seu programa de campanha para a Presidência da República em 1998. Lerner pregou soluções urgentes para a saúde, a alimentação, a educação, a moradia e as agressões ao meio ambiente, uma espécie de ‘‘causa compartilhada’’. Na semana passada o prefeito Paulo Maluf também usou a comissão especial para pregar sua plataforma política de candidato à sucessão de Fernando Henrique Cardoso: mais empregos, maior desenvolvimento, globalização efetiva da economia, projeto para transformar o Nordeste em uma ‘‘Califórnia’’ e desenvolvimento do turismo, entre outros. Ambos elogiaram as administrações que estão fazendo - Lerner, no governo do Paraná; Maluf, na Prefeitura de São Paulo.
Lerner disse que a experiência utilizada por ele quando prefeito de Curitiba e agora, no governo do Paraná, está sendo ‘‘exportada’’ para 399 prefeituras paranaenses. Ele falou também de reeleição, motivo do convite feito a ele pelo deputado Duílio Pisaneschi (PTB-SP). Disse que defende a reeleição, mas acha que, por uma questão ética, deveria haver um plebiscito para saber se Fernando Henrique poderá candidatar-se à própria sucessão.

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