PDT e PSB tratam fusão com cautela
As lideranças do Paraná analisam com cautela a proposta de fusão do PDT de Leonel Brizola com o PSB de Miguel Arraes para formar o novo Partido Trabalhista Socialista (PTS). A idéia, defendida na semana passada pelo pedetista Brizola, ainda deve causar muita polêmica. PDT e PSB paranaenses caminham em direções opostas - enquanto pedetistas fazem oposição ao governo de Jaime Lerner (PFL), socialistas não só aprovam seu mandato como fizeram aliança no ano passado com o atual partido do governador. Lerner deixou o PDT em 1997 para se filiar no PFL.
Não há clima para fusão, afirmou o presidente estadual do PSB, Severino Nunes de Araújo. Ele disse acreditar que essa não é só uma posição do Paraná, mas deve ser tomada na maioria dos Estados. Aqui, Araújo avalia como agravante o fato de a maioria dos cerca de 8 mil filiados ao PSB no Estado terem vindo do PDT, depois da intervenção no partido feita por Brizola, em 1994. O próprio Araújo era do PDT.
Além disso, Araújo argumenta que o PSB está em ascensão no País, enquanto o PDT vem perdendo prestígio. Segundo ele, seu partido obteve 0,9% dos votos em 96; 1,9% em 90; 2,2% em 94 e 3,6% em 98, enquanto o PDT, de acordo com o dirigente, conseguiu 5,8% dos votos em 82; 6,5% em 86; 10% em 90; 7,2% em 94 e caiu para 5,4% em 98. O PDT se interessa nessa fusão porque está num desempenho negativo. No nosso caso, a meta é de crescer mais em 2002, chegando a 5% do total geral de votos no País, prevê.
No Paraná, segundo números do diretório estadual do PSB, houve 19 mil votos para deputado estadual em 94 e 201 mil votos em 98. O partido tem hoje dois deputados estaduais - Ricardo Maia e Antônio Carlos Belinati. Os números do PDT no Estado, de acordo com Araújo, também apontam para decréscimo de 470 mil votos em 94 para a Assembléia Legislativa para 215 mil votos no ano passado. Também há baixas de votos para a Câmara Federal no PDT de 94 para 98.
Para o deputado Ricardo Maia, líder do PSB na Assembléia, a união de forças acabará ocorrendo porque a reforma política deve exigir isso para a sobrevivência dos partidos menores. Mas o deputado é cauteloso e diz que ainda é cedo para uma melhor avaliação.
O vereador e tesoureiro da executiva estadual do PDT, Jorge Bernardi, é amplamente favorável à fusão do partido com o PSB. De acordo com ele, os trabalhistas andam juntos em todos os países do mundo e apenas estão separados no Brasil. Se quisermos ter força de ação, precisamos nos organizar num partido forte, afirmou Bernardi. O vereador não teme problemas internos no partido, por causa do apoio que o PSB tem dado, no Paraná, a Lerner. O PSB é oposição em todo o País e terá que se adequar também no Paraná, os que não quiserem se adequar, terão que migrar para outros partidos, argumentou.
A opinião de Bernardi é compartilhada pelo líder do PDT na Assembléia Legislativa, Edgar Bueno. Para ele, a fusão é inevitável e o partido terá de seguir a mesma linha do PDT paranaense. O PDT está bem estruturado no Paraná e é muito mais forte aqui do que o PSB. É justo que a linha ideológica do nosso partido seja mantida no Estado, salientou Edgar. O PSB aqui é fraco e terá que adotar a nossa postura, complementou Bernardi.
Para os pedetistas paranaenses, assim que a fusão estiver consolidada, os governistas procurarão outros partidos. Seremos oposição de norte a sul do País, disse Bernardi. Atualmente, o PDT conta com três deputados estaduais - Edgar Bueno, Moysés Leônidas e Luiz Carlos Zuk - e mais de 400 vereadores em todo o Estado. A meta para as eleições do ano que vem é lançar candidatos em 300 municípios paranaenses e eleger 100 prefeitos.
O presidente do PDT de Cascavel, Roberto Aoki, defende uma fusão mais ampla entre os partidos. Além do PSB, ele quer que o PDT faça contatos com o PMDB para ampliar as alianças e fazer do novo partido (o PTS) um dos mais fortes do Brasil. Gostaria que os dois partidos fizessem contato também com o PMDB, que segue a mesma linha ideológica do que a nossa, contra a política neo-liberal do presidente Fernando Henrique Cardoso, argumentou ele.





