DivulgaçãoMassagem no egoFriedrich e Belinati: ‘‘Se eu dissesse que não gostaria de ser governador, estaria mentindo’’O presidente estadual do PDT, Nelton Friedrich, defendeu ontem em Londrina o lançamento da candidatura do prefeito Antonio Belinati ao governo do Estado. ‘‘Fiz o convite no mês passado, num programa de televisão, ao vivo, em Curitiba, e volto a repeti-lo, já que ele é uma grande liderança’’. O convite a Belinati vem no momento em que o PDT reforça sua preferência por futuras alianças com ‘‘partidos progressistas’’, o que, na prática, inviabilizaria uma possível coligação com o PFL de Lerner e com o PDT da vice-governadora Emília Belinati, esposa do prefeito, que reafirmou seu compromisso de fazer nova composição eleitoral com o governador.
‘‘Fico muito grato e comovido com o convite. Se eu disser que não tenho vontade de ser governador, estaria mentindo’’, diz o prefeito de Londrina. ‘‘Mas acho que a prioridade é a reestruturação do partido no Paraná, que vou ajudar a fazer. E outros nomes devem surgir’’, responde, cauteloso. Ele defende que a executiva estadual discuta futuras alianças.
Friedrich está percorrendo o Estado para viabilizar o que chama de ‘‘operação permanência’’ e ‘‘operação adesão’’, além de estimular candidaturas estaduais e federais. ‘‘Já estamos fechando candidaturas estaduais e federais que vão cobrir todo o Estado’’.
Friedrich cita o exemplo de Maringá, onde o deputado Joel Coimbra deixou o PDT rumo ao PTB. ‘‘Lá já conseguimos incluir lideranças de peso e mais: toda a direção do PSB veio para o PDT’’, comemora. Segundo ele, prefeitos, vices e vereadores não estão debandando como muitos previam. Um levantamento dele revela que dos 111 prefeitos eleitos no ano passado pelo partido, 19 deixaram a sigla até agora. Dos 90 vices, 15 trocaram de partido e dos 792 vereadores ‘‘nem 10 por cento saíram do partido’’. ‘‘Temos clareza que iremos perder muita gente, mas estamos fazendo as substituições, com a operação adesão’’.
Ele admite porém, que o número de baixas só não foi maior por causa do estatuto do PDT, que prevê a fidelidade partidária. Vereadores de Curitiba estão brigando na Justiça contra o partido para garantir a vaga. Pelo estatuto, quem deixa a sigla têm de passar o cargo para o suplente, já que a vaga pertence ao partido e não ao ocupante de mandato.
Ele nega que o item fidelidade partidária seja o ‘‘trunfo’’ do PDT para manter os filiados, mas reconhece que o estatuto ajuda.
O dirigente, que é ex-deputado federal, não esconde a mágoa que sente do governador e não poupa críticas ao grupo político de Lerner, a quem acusa de traidor. ‘‘E a vice-governadora Emília Belinati e o chefe da Casa Civil Rafael Greca serão traídos. Só não sei qual dos dois será primeiro’’, acredita. Ele baseia-se nas declarações de Lerner, que não coloca como fundamental a presença de Emília na chapa para 98. Sobre Greca, Friedrich acredita que ele tem vôo próprio e pode incomodar demais os aliados.
Friedrich diz que a candidatura própria do PDT para o ano que vem deveria ser de Emília Belinati, que deixou o partido semana passada. ‘‘Acho que seria o grande momento para esse vôo. Nós lamentamos, mas pode ser o Belinati, também uma grande liderança’’, insiste.

mockup