PDT deseja Belinati na disputa
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quarta-feira, 01 de outubro de 1997
Patrícia Zanin Londrina 
DivulgaçãoMassagem no egoFriedrich e Belinati: Se eu dissesse que não gostaria de ser governador, estaria mentindoO presidente estadual do PDT, Nelton Friedrich, defendeu ontem em Londrina o lançamento da candidatura do prefeito Antonio Belinati ao governo do Estado. Fiz o convite no mês passado, num programa de televisão, ao vivo, em Curitiba, e volto a repeti-lo, já que ele é uma grande liderança. O convite a Belinati vem no momento em que o PDT reforça sua preferência por futuras alianças com partidos progressistas, o que, na prática, inviabilizaria uma possível coligação com o PFL de Lerner e com o PDT da vice-governadora Emília Belinati, esposa do prefeito, que reafirmou seu compromisso de fazer nova composição eleitoral com o governador.
Fico muito grato e comovido com o convite. Se eu disser que não tenho vontade de ser governador, estaria mentindo, diz o prefeito de Londrina. Mas acho que a prioridade é a reestruturação do partido no Paraná, que vou ajudar a fazer. E outros nomes devem surgir, responde, cauteloso. Ele defende que a executiva estadual discuta futuras alianças.
Friedrich está percorrendo o Estado para viabilizar o que chama de operação permanência e operação adesão, além de estimular candidaturas estaduais e federais. Já estamos fechando candidaturas estaduais e federais que vão cobrir todo o Estado.
Friedrich cita o exemplo de Maringá, onde o deputado Joel Coimbra deixou o PDT rumo ao PTB. Lá já conseguimos incluir lideranças de peso e mais: toda a direção do PSB veio para o PDT, comemora. Segundo ele, prefeitos, vices e vereadores não estão debandando como muitos previam. Um levantamento dele revela que dos 111 prefeitos eleitos no ano passado pelo partido, 19 deixaram a sigla até agora. Dos 90 vices, 15 trocaram de partido e dos 792 vereadores nem 10 por cento saíram do partido. Temos clareza que iremos perder muita gente, mas estamos fazendo as substituições, com a operação adesão.
Ele admite porém, que o número de baixas só não foi maior por causa do estatuto do PDT, que prevê a fidelidade partidária. Vereadores de Curitiba estão brigando na Justiça contra o partido para garantir a vaga. Pelo estatuto, quem deixa a sigla têm de passar o cargo para o suplente, já que a vaga pertence ao partido e não ao ocupante de mandato.
Ele nega que o item fidelidade partidária seja o trunfo do PDT para manter os filiados, mas reconhece que o estatuto ajuda.
O dirigente, que é ex-deputado federal, não esconde a mágoa que sente do governador e não poupa críticas ao grupo político de Lerner, a quem acusa de traidor. E a vice-governadora Emília Belinati e o chefe da Casa Civil Rafael Greca serão traídos. Só não sei qual dos dois será primeiro, acredita. Ele baseia-se nas declarações de Lerner, que não coloca como fundamental a presença de Emília na chapa para 98. Sobre Greca, Friedrich acredita que ele tem vôo próprio e pode incomodar demais os aliados.
Friedrich diz que a candidatura própria do PDT para o ano que vem deveria ser de Emília Belinati, que deixou o partido semana passada. Acho que seria o grande momento para esse vôo. Nós lamentamos, mas pode ser o Belinati, também uma grande liderança, insiste.


