PDT deixa bloquinho e anuncia apoio a Temer
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Christiane Samarco<BR>Agência Estado 
Brasília - O PDT anuncia amanhã, a decisão de sair do bloquinho, composto com o PSB, PC do B, PMN e PRB, para apoiar a candidatura do presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), à presidência da Câmara. A executiva nacional reúne-se com a bancada federal depois de uma série de negociações bem sucedidas em que Temer garantiu ao PDT não só um cargo na Mesa Diretora, como a inclusão dos pedetistas na partilha das comissões técnicas e relatorias de projetos importantes. Fora do bloco, o partido garante assento no colégio de líderes que decide a pauta de votação, em conjunto com o presidente da Casa.
Além de espaço de poder, o PDT trabalha para recuperar espaço de atuação no plenário. Do ano passado para cá, o grupo parlamentar vem sendo liderado por Mário Heringer (PDT-MG), mas seu substituto será do PSB. A perda da liderança é mais um entrave à permanência dos pedetistas no bloco. Afinal, é o líder quem fala pelo conjunto e a avaliação geral no PDT é que, mesmo com a liderança, a bancada tem ficado em segundo plano. ''Nossos 25 deputados não têm tido vez no plenário'', resume Vieira da Cunha (RS).
O fim do bloco formado há dois anos, quando Aldo Rebelo (PC do B-SP) disputou e perdeu a presidência da Câmara para o petista Arlindo Chinaglia (SP), pode repercutir nas parcerias para a sucessão presidencial de 2010. Por isto mesmo, o PDT ainda trabalha por um ''desembarque negociado'' que não produza sequelas na relação com os parceiros. ''Queremos preservar as afinidades e nossa proximidade política e poderemos até resgatar a parceria na eleição presidencial de 2010'', diz Vieira da Cunha.
Mantido o cenário atual, porém, a retomada do bloco não será tarefa fácil. O candidato do bloquinho a presidente é Ciro Gomes (PSB-CE), mas o ex-presidente nacional do PDT e atual ministro do Trabalho, Carlos Lupi, já declarou simpatia pela candidatura petista da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Refere-se a ela como a companheira que o ajudou a fundar o PDT.
Os desencontros eleitorais entre PSB, PC do B e PDT, as principais legendas do bloquinho, nas disputas pelas prefeituras também geraram mágoas que alimentam a decisão de abandonar o bloco agora. Tentativas de acordo em várias capitais acabaram frustradas. Foi o caso de Porto Alegre, onde os socialistas decidiram apoiar a candidata comunista Manuela D'Ávila, o PDT do candidato Vieira da Cunha reclamou que não foi consultado e se aliou ao PMDB do prefeito José Fogaça, indicando o vice.
Na sucessão da Câmara, o ministro Lupi fez questão de declarar apoio público a Temer, atendendo a pedido do Planalto. Ainda assim, todos os acertos são fechados tanto com a bancada como com a direção do PDT. Neste recesso parlamentar de janeiro, Vieira da Cunha estava em Florianópolis (SC) quando foi surpreendido com uma visita de Temer, que foi à capital catarinense especialmente para almoçar com ele.
Além de uma suplência na Mesa Diretora, Temer lhes prometeu aplicar o mesmo critério da proporcionalidade, de acordo com o tamanho das bancadas de cada partido, na partilha de relatorias de propostas de repercussão nacional, inclusive Medidas Provisórias.


