Brasília - A Executiva Nacional do PDT decidiu na tarde de ontem montar uma comissão para negociar com a presidente Dilma Rousseff (PT) o espaço do partido no governo federal. O ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi está fora dessa comissão e permanecerá licenciado da presidência da legenda até janeiro do próximo ano. Ele deixou o Ministério do Trabalho no domingo após uma série de denúncias.
A comissão do PDT terá o presidente interino, deputado federal André Figueiredo (CE), o secretário-geral, Manoel Dias (SC), os líderes do partido na Câmara, Giovanni Queiroz (PA), e no Senado, Acir Gurgacz (RO), e o deputado federal Brizola Neto (RJ), vice-presidente do partido. Figueiredo fez questão de ressaltar que o partido apoia o governo Dilma mesmo sem cargos, mas o PDT espera um convite da presidente ainda esta semana para negociar o espaço da legenda na Esplanada.
De acordo com o presidente interino, Lupi pediu a prorrogação da licença do cargo de comando da legenda porque deseja viajar com a família nos próximos dias. Figueiredo ressaltou que o partido tem total confiança em Lupi e deu como certa a volta dele à presidência do PDT em janeiro. ''Ele é um nome que foi eleito e tem mandato até 2013'', declarou.
Brizola Neto afirma que o partido espera ser chamado pela presidente ainda nesta semana para negociar. Segundo ele, caberá a Dilma definir o que espera do PDT. ''A decisão é da presidente Dilma. Só podemos indicar nome para uma pasta ou outra se ela nos pedir. O partido reafirmou ontem que apoia, independentemente do que se colocar de espaço pra gente'', disse. Diferente de Figueiredo, Brizola Neto afirmou que a volta de Lupi à presidência do partido ainda precisará ser debatida pelo partido na reunião do diretório nacional em janeiro.
Presidente da Força Sindical, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) voltou a fazer ataques à Comissão de Ética Pública, que recomendou à presidente Dilma a demissão de Lupi. Paulinho lembrou que a relatora do caso, Marília Muricy, foi secretária do governador petista Jaques Wagner (BA) e que o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence, advogou para a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), onde o PDT é oposição. ''É estranho que aliados possam fazer o que foi feito com o Lupi'', criticou Paulinho.
Paulinho aproveitou ainda para rechaçar a tese da necessidade de acabar com a pasta do Trabalho na reforma ministerial levando os assuntos do setor de volta à área da presidência da República.
Investigação
O Ministério Público Federal no Distrito Federal vai apurar possíveis irregularidades na utilização de um avião privado pelo Lupi em dezembro de 2009. Imagens divulgadas mostram que Lupi teria viajado em um jato pago por Adair Meira, responsável por ONGs acusadas de fraude na pasta, para cumprimento de agenda oficial. O procurador da República Paulo Roberto Galvão já requisitou informações a Lupi.

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