Curitiba - Membros dos partidos que carregaram a candidatura do senador Osmar Dias (PDT) na disputa que se encerrou no dia 29 de outubro, com a vitória do atual governador Roberto Requião (PMDB), devem promover a partir de agora uma espécie de ''caça às bruxas''. Na reunião realizada ontem entre lideranças do PDT, PP, PSB e PFL, Osmar teria defendido uma postura rigorosa em relação aos correligionários ''infiéis'' que apoiaram Requião. ''O conselho de ética do PDT vai analisar cada caso. Mas deverão ocorrer expulsões sim'', informou o deputado estadual Luiz Carlos Martins (PDT), acrescentando que, entre os mais de 40 prefeitos do PDT, mais da metade teria negado apoio a Osmar.
A reunião foi presidida pelo próprio senador que agora volta ao comando do partido no Estado, e contou com a presença de dois tucanos, os deputados estaduais Valdir Rossoni, presidente do PSDB no Paraná, e Ademar Traiano, líder da sigla na Assembléia Legislativa.
Entre os políticos que ficaram na mira do senador também estaria o atual vice-prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSDB), que apoiou a candidatura do PMDB no primeiro turno. ''Ducci não foi eleito com o apoio do Palácio Iguaçu, pelo contrário'', disse Luiz Carlos Martins.
Sobre as ''traições'', o deputado estadual Augustinho Zucchi (PDT) disse que não se trata de uma acusação, e sim de uma ''constatação''. ''Não é o PDT que quer a vaga do Ducci. É uma questão política'', disse ele, admitindo porém que as eleições municipais de 2008 estarão vinculadas às parcerias feitas no pleito de outubro passado. ''Cada um apóia os seus'', afirmou o pedetista.
O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), apoiou Osmar no segundo turno. O presidente do PSDB, deputado estadual Valdir Rossoni, chegou a afirmar que o partido estava oficialmente ligado a Osmar, mas admitia que uma ala de tucanos deveria continuar com Requião. Sobre o vice-prefeito, Rossoni disse apenas que ''cada pessoa reserva seu lugar com suas atitudes''.
Além das eleições municipais, o pleito de 2010 também esteve na pauta do encontro. Para Luiz Carlos Martins, ''seria mais coerente que os partidos que apoiaram Osmar permaneçam na oposição''. ''E o grande líder da oposição é o Osmar'', disse o parlamentar.
Para Zucchi, ''é natural'' que os parlamentares que apoiaram Osmar façam oposição na Assembléia Legislativa. ''Nós queremos um projeto para daqui quatro anos. A população não nos perdoaria se a gente não pensasse em 2010. Ficou entalado'', disse ele, em referência à vitória apertada do adversário.

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