PDT avisa que vai expulsar infiéis
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terça-feira, 23 de dezembro de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A direção nacional do PDT não vai tolerar infiéis no partido. Nem mesmo que esses infiéis sejam integrantes históricos da sigla, como é o caso do paranaense Nelton Friedrich, que atualmente responde por uma das diretorias de Itaipu Binacional e foi presidente do diretório estadual do PDT. A afirmação foi feita ontem pelo vice-presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, em entrevista à Folha.
Irritado com as informações de que Friedrich estaria pensando em permanecer em Itaipu mesmo diante das determinações nacionais, Lupi lembrou que o PDT fez reunião interna no último dia 12 e decidiu por 147 votos contra três que iria se retirar da base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ''Resolvemos ser independentes. Como seríamos independentes se tivéssemos cargos no governo federal? Se precisássemos de indicações para esse ou aquele ministério? Não podemos ter posicionamentos duplos'', declarou Lupi.
Em recente entrevista à Folha, Friedrich deu a entender que não pretende deixar o cargo na estatal. Ele afirmou que só iria tomar uma posição a respeito da decisão do diretório nacional a partir do ano que vem. Friedrich acredita numa manobra de parlamentares descontentes que estariam tentando alterar a resolução do diretório nacional. A decisão nacional, liderada por Leonel Brizola, teria ocorrido à revelia de um grupo de oito deputados federais e da bancada de cinco senadores da sigla em Brasília. ''Tivemos o apoio quase total do nosso partido. Não vão ser oito ou nove parlamentares que vão mudar uma decisão nacional'', apostou Lupi.
''Tenho um compromisso com esse governo, que é o primeiro governo progressista desde 1964 (época em que se instalou a ditadura militar no Brasil'', considerou Friedrich, em entrevista à Folha. O PDT vai aguardar até janeiro para que todos os filiados no partido deixem o governo Lula. Somente depois desse prazo, é que os infiéis serão submetidos a um conselho de ética para possível processo de expulsão. ''Ele (Friedrich) sempre foi um homem de partido. Eu não acredito que ele vai deixar o PDT para continuar integrando o governo Lula'', disse Lupi.
O vice-presidente nacional do PDT pretende marcar uma conversa com Friedrich para o começo de janeiro. ''Ele (Friedrich) ainda não me procurou para falar sobre esse assunto. Vou procurá-lo. A ele e a todos que ainda estão no governo Lula'', finalizou.


