Da Redação
A ligação de Paulo César Farias com a máfia italiana e com o tráfico de drogas começou a ser revelada em 97, a partir de investigações conjuntas da polícia italiana, da Interpol e da Polícia Federal. A polícia italiana conseguiu levantar a existência de 14 contas de PC em bancos da Suíça, Estados Unidos e Holanda.
Em junho do ano passado, a Suíça aceitou a quebra de sigilo das contas de PC. Descobriu-se então que uma destas contas fora aberta em conjunto com o chefe da Nadrangheta, uma das principais famílias da máfia italiana que atua na região da Calábria. Nas outras contas, foram rastreadas transferências de milhões de dólares feitas por PC para traficantes ligados à máfia. De acordo com estimativas da própria polícia italiana, haviam sido movimentados em pouco mais de dois anos cerca de US$ 200 milhões. Todas as contas eram operadas pelos argentinos Jorge Oswaldo La Salvia e por Luiz Felippe Ricca, procuradores de PC.
A ligação direta de PC com a Nadrangheta revelava a extensão do esquema. A família mafiosa vinha sendo investigada desde 1994 pela polícia italiana, quando 12 de seus membros foram presos transportando 5,5 toneladas de cocaína vinda da Colômbia. A apreensão foi possível depois de um acerto feito entre traficantes colombianos e autoridades italianas. Os colombianos forneceram a data e local da entrega, em troca do relaxamento da prisão de Gustavo Delgado, um dos caixas do Cartel de Medellin. Delgado foi libertado meses depois. Passou a viver na Itália, sob proteção policial, e a colaborar no combate ao narcotráfico. A partir dos nomes fornecidos por Delgado a polícia chegou a PC Farias.
No início de 99, dezenas de inquéritos foram abertos pela Polícia Federal para apurar as conexões do quebra-cabeças em que consiste o esquema internacional e as ligações de PC. Muitos destes inquéritos ainda correm em segredo de Justiça. O objetivo de todos este inquéritos é esclarecer como o dinheiro era movimentado, quem eram seus beneficiários finais e como ele se manteve em funcionamento após a morte de PC. Agora, a descoberta dos primeiros pontos de ligação entre o esquema de PC e o de Maurício Dabull abre uma nova estrada para as investigações.

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