Pazzianoto troca farpas com ACM na crise Senado-TST
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terça-feira, 02 de março de 1999
Agência Estado 
Durante debate promovido ontem entre os ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) especialmente para rebater as recentes críticas feitas pelo presidente do Congresso, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), o vice-presidente do TST, Almir Pazzianotto, levantou suspeitas sobre a sanidade mental do senador. Não fica bem essa guerra artificialmente deflagrada a partir de uma determinada cadeira do Legislativo e injustamente provocada por um agressor que não conhece limites éticos e cuja vida pessoal foi marcada por tantas tragédias que eu me pergunto se ainda consegue se manter senhor do pleno equilíbrio, disse Pazzianotto.
ACM respondeu que, infelizmente, o destino marcou a sua vida com tragédias, mas que a morte do filho, o ex-líder do governo na Câmara Luís Eduardo Magalhães, tem dado força para trabalhar. Quando alguém toca nesse assunto, é demonstração de incompetência e falta de caráter, disse ACM.
O senador afirmou conhecer tragédias pessoais de Pazzianotto e que todas elas ocorreram por falta de caráter. Ele reafirmou que Pazzianotto reclamava com frequência da vida de ministro do TST, dando demonstrações de que gostaria de voltar a ser ministro de Estado. Por último, ACM disse que Pazzianotto é incompetente como ministro do TST e como político.
A crise entre o Judiciário e o Legislativo teve início na semana passada, depois que ACM defendeu a extinção de alguns tribunais, até mesmo o TST. Para Pazzianotto, o Congresso é omisso, distante e, de certa maneira, inapto. O ministro disse que a edição de MPs provoca uma insegurança nas atividades produtivas nacionais. O que se deseja de uma norma jurídica é que ela seja estável; por isso, é que se diz que a boa lei é a velha, afirmou Pazzianotto.
Repúdio O TRT do Paraná emitiu ontem um manifesto contrário às declarações de ACM: O TRT vem a público manifestar expressamente seu repúdio aos seguidos ataques formulados pelo excelentíssimo presidente do Congresso Nacional contra o Poder Judiciário, diz o manifesto. O documento do TRT, assinado por 12 juízes, diz ainda que o Judiciário atravessa por dificuldades, tanto de ordem econômica quanto instrumental, mas que ainda assim, mantém-se sempre e sempre se manterá altivo, independente, e, principalmente, inaliciável, conforme almejado pela Constituição, finaliza o manifesto, encabeçado pela presidenta do Tribunal, Adriana Nucci Paes Cruz. Ela ficou furiosa com as declarações do senador baiano pefelista. Esse tipo de declaração tem como objetivo enfraquecer o Poder Judiciário, classificou a presidenta do Tribunal paranaense. (Colaborou Leandro Donatti).


