Durante debate promovido ontem entre os ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) especialmente para rebater as recentes críticas feitas pelo presidente do Congresso, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), o vice-presidente do TST, Almir Pazzianotto, levantou suspeitas sobre a sanidade mental do senador. ‘‘Não fica bem essa guerra artificialmente deflagrada a partir de uma determinada cadeira do Legislativo e injustamente provocada por um agressor que não conhece limites éticos e cuja vida pessoal foi marcada por tantas tragédias que eu me pergunto se ainda consegue se manter senhor do pleno equilíbrio’’, disse Pazzianotto.
ACM respondeu que, ‘‘infelizmente’’, o destino marcou a sua vida com tragédias, mas que a morte do filho, o ex-líder do governo na Câmara Luís Eduardo Magalhães, tem dado força para trabalhar. ‘‘Quando alguém toca nesse assunto, é demonstração de incompetência e falta de caráter’’, disse ACM.
O senador afirmou conhecer tragédias pessoais de Pazzianotto e que todas elas ocorreram por falta de caráter. Ele reafirmou que Pazzianotto reclamava com frequência da vida de ministro do TST, dando demonstrações de que gostaria de voltar a ser ministro de Estado. Por último, ACM disse que Pazzianotto é incompetente como ministro do TST e como político.
A crise entre o Judiciário e o Legislativo teve início na semana passada, depois que ACM defendeu a extinção de alguns tribunais, até mesmo o TST. Para Pazzianotto, o Congresso é ‘‘omisso, distante e, de certa maneira, inapto’’. O ministro disse que a edição de MPs provoca uma insegurança nas atividades produtivas nacionais. ‘‘O que se deseja de uma norma jurídica é que ela seja estável; por isso, é que se diz que a boa lei é a velha’’, afirmou Pazzianotto.
Repúdio O TRT do Paraná emitiu ontem um manifesto contrário às declarações de ACM: ‘‘O TRT vem a público manifestar expressamente seu repúdio aos seguidos ataques formulados pelo excelentíssimo presidente do Congresso Nacional contra o Poder Judiciário’’, diz o manifesto. O documento do TRT, assinado por 12 juízes, diz ainda que o Judiciário atravessa por dificuldades, ‘‘tanto de ordem econômica quanto instrumental, mas que ainda assim, mantém-se sempre e sempre se manterá altivo, independente, e, principalmente, inaliciável, conforme almejado pela Constituição’’, finaliza o manifesto, encabeçado pela presidenta do Tribunal, Adriana Nucci Paes Cruz. Ela ficou furiosa com as declarações do senador baiano pefelista. ‘‘Esse tipo de declaração tem como objetivo enfraquecer o Poder Judiciário’’, classificou a presidenta do Tribunal paranaense. (Colaborou Leandro Donatti).

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