Londrina - Há 15 anos a definição da presidência da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná é feita sem bate-chapa. A última eleição realizada na Casa foi em 1999, quando morreu o ex-deputado estadual e então presidente, Aníbal Khuri (PTB). Nelson Justus (DEM) venceu Valdir Rossoni (PSDB, à época no PDT). Depois do democrata até hoje, o principal cargo do legislativo paranaense teve Hermas Brandão (PTB) no comando por sete anos, sucedido novamente por Justus, que ficou mais quatro anos na cadeira, até passar o bastão para Rossoni, que o entrega agora para o correlegionário Ademar Traiano (PSDB).

"É uma paz de cemitério", define o professor de Ciência Política do grupo Uninter, Luiz Domingos Costa. De acordo com ele, a influência do Executivo, com o "ultrapresidencialismo estadual", e o enfraquecimento da oposição favorecem as sucessões discutidas apenas nos bastidores, sem antagonismos públicos no dia da posse. "Esse ultrapresidencialismo é visto no poder de quem está no governo, que tem maioria na Assembleia e, além disso, o direito de indicar conselheiros para o Tribunal de Contas (TC), instituições dóceis ao Executivo", lembrou Costa. "É uma situação ruim no Paraná, porque o Legislativo é o local onde devem ser expostas as divergências políticas, onde as ideias devem ser debatidas."

Com poucos representantes na AL, a oposição não tem forças para se articular e buscar espaço na Mesa Executiva, com a apresentação de uma chapa, embora as inscrições possam ser feitas, pelo regimento, até momentos antes da eleição. "Mas é um cenário passível de mudança. Veja o Congresso Nacional, onde existe uma nova estruturação da oposição e disputa pelo comando", citou o professor. "O cenário na Assembleia deve mudar até o final do mandato, porque partidos como o PMDB, tendem a se aproximar de quem está com o poder ou em condições de assumi-lo. Como Beto Richa (PSDB) não terá mais como concorrer em 2018, é possível que surja uma nova configuração política."

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