O diretor-presidente da Sercomtel, Rubens Pavan, iniciou ontem uma licença de 15 dias. Oficialmente, ele alega necessidade de cuidar da implantação do projeto de TV por assinatura em Osasco (SP), desenvolvido pela companhia telefônica. Mas, nos bastidores, a licença teria sido uma estratégia para tentar diminuir o impacto do pedido de prisão preventiva existente contra Pavan, por solicitação do Ministério Público Estadual há duas semanas.
A licença foi divulgada através de nota oficial emitida ontem pela manhã pela empresa. A confirmação do afastamento temporário ocorre um dia depois de a Folha publicar, com exclusividade, a convocação de uma assembléia-geral extraordinária do Conselho Administrativo da telefônica para o próximo dia 15, além de ter antecipado a possibilidade de pedido de licença de Pavan.
A reportagem apurou que o prefeito Jorge Scaff (PSB) pode se deslocar a Curitiba nos próximos dias para uma reunião com o presidente da Copel, Ingo Hubert. A Copel detém 45% das ações da Sercomtel. Na reunião, que poderá contar com a presença do presidente licenciado da companhia, poderá ser apontado o nome do executivo que substituirá Pavan. O vice-presidente da telefônica, Paulo Cezar da Silva Machado, está respondendo interinamente pela empresa.
Na nota oficial, a assessoria da Sercomtel afirma que até a data da assembléia extraordinária, os acionistas da empresa deverão decidir em conjunto uma reestruturação da administração. Desde 98, a Sercomtel tem diretorias contituídas para os setores de telefonia fixa e celular. Segundo a nota, o que deve ocorrer é uma unificação dos conselhos e das principais diretorias com o objetivo de ‘‘simplificar o processo decisório e reduzir custos.’’
‘‘No dia 15, quando acontece a assembléia do Conselho de Administração, todas estas decisões serão tomadas’’, limitou-se a dizer o vice-presidente. Sobre a possível substituição de Rubens Pavan, o presidente em exercício disse que ‘‘todas as alterações estão sendo consideradas’’. Ele informou também que a tendência é a redução do número de diretorias de sete para cinco.
‘‘Eu não acredito que uma alteração na presidência tire a Sercomtel do foco de atenção. As denúncias estão na mídia diariamente. Mas os negócios da empresa continuam normalmente’’, afirmou Machado sobre o impacto que a inclusão do nome de Pavan na ação do MP provocou na imagem da telefônica. Segundo ele, o número de clientes vem aumentando.
Um experiente corretor no mercado de ações, consultado ontem pela Folha, disse que não é possível avaliar o impacto causado na imagem da empresa porque a Sercomtel não negocia papéis em bolsa de valores. ‘‘Não dá para fazer conjecturas, mas talvez não seja a hora de abrir o capital da empresa’’.
O desembargador Carlos Hoffmann, da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ) já está com a queixa-crime do Ministério Público Estadual que pede a prisão preventiva do prefeito cassado Antonio Belinati (PFL) e de outros oito ex-secretários e assessores, incluindo Pavan. O desembargador deve se manifestar sobre o caso nos próximos dias. (Colaborou Cláudia Lopes)

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