Os vereadores de Londrina que participaram anteontem da audiência com o governador Jaime Lerner, em Curitiba, vão pedir ao governo do Estado que defina prazos para o cumprimento das reivindicações da região Norte. A pauta entregue ao governador inclui 12 itens e Lerner garantiu que ‘‘todos os doze pontos da pauta já estão sendo executados ou estudados’’.
A Câmara de Vereadores quer, agora, manter a articulação política para atingir sua principal meta: fazer as reivindicações saírem do papel. O presidente da Câmara, vereador Adalberto Pereira da Silva (PFL) irá propor às lideranças empresariais a elaboração de um documento pedindo que o governo defina um calendário para cumprimento das promessas.
A Câmara também pretende cobrar a vinda do governador a Londrina. Anteontem, Lerner declarou que irá intensificar as viagens ao interior do Estado depois que se recuperar da cirurgia que sofreu na perna direita, após atropelamento em Londres.
Apesar de os vereadores terem voltado animados da audiência com Lerner, ontem eles estavam irritados com uma declaração do secretário municipal de Administração, Moysés Leônidas. Ele também é comentarista da rede de televisão CNT e disse num programa ao vivo que o grupo não passou de ‘‘laranja’’ e que o articulador do encontro com o governador, o presidente da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agrícolas do Paraná, Farage Kouri, tem interesse em assumir uma secretaria de Estado e quis se promover com o encontro.
‘‘Parece que o Moysés está contra a cidade’’, reclamou o vereador Carlos Santa Rosa (PFL), outro que compareceu à audiência. A irritação deles deve mobilizar a Câmara hoje, quando os quatro vereadores - Pereira da Silva, Guergoletto, Santa Rosa e Beto Scaff (PSDB) - devem apresentar um requerimento em regime de urgência convocando o secretário para dar explicações.
Ouvido ontem pela Folha, Leônidas disse que não quis ofender ninguém. ‘‘O programa ao vivo é muito dinâmico, mas se eventualmente fiz essa declaração, não foi para diminuir a presença dos vereadores. Se usei esse termo, retiro’’. Leônidas reconhece que os vereadores foram a Curitiba de bom grado. ‘‘Mas a informação que eu obtive foi de que eles estavam num pacote sem saber que a pretensão era valorizar o Farage Kouri, que foi se auto-promover’’. Ele diz não considerar a reunião legítima, já que o prefeito Antonio Belinati (PDT) não compareceu. Farage Kouri não foi localizado pela Folha ontem à noite.

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