Brasília - O governo e a oposição não conseguiram chegar ontem a um consenso para destrancar a pauta de votações da Câmara, que tem quatro medidas provisórias e dois projetos de lei com urgência constitucional à espera de análise. O acordo não foi possível porque o DEM insiste em manter a obstrução (usar manobras regimentais para atrasar a votação), enquanto o governo não atender os pleitos da bancada ruralista na medida provisória 432, que trata da renegociação da dívida do setor agrícola. A principal reivindicação dos ruralistas é que a taxa de referência para a renegociação das dívidas do setor seja a TJLP e não a Selic, conforme prevê a medida provisória.
''O DEM se manifestou no sentido de que vai manter a obstrução por causa da MP 432'', explicou o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Ele reuniu-se com os líderes partidários para tentar fechar um acordo em torno de uma pauta de votações nos próximos dois meses.
A oposição está dividida: o PSDB e o PPS são favoráveis ao estabelecimento de uma agenda de consenso e à votação das MPs que trancam a pauta da Câmara. Já o DEM quer manter a obstrução. ''O interesse do PSDB é que o processo de votações possa se desenvolver e a Câmara vote no período eleitoral'', disse o líder do PSDB, deputado José Aníbal (SP).
Como este é um ano de eleições municipais, os parlamentares defendem um ''recesso branco'' para que possam se dedicar às campanhas de seus aliados políticos. Os deputados defendem que a Câmara funcione nestas duas semanas de agosto e na primeira semana de setembro. Chinaglia só concorda, no entanto, em liberar os deputados depois que for cumprida uma pauta mínima de votação.
Mesmo sem consenso, os deputados concluíram a votação da medida provisória 431, que trata do reajuste dos servidores públicos. No início da noite, começaram a discutir a MP 432.

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