Pauta exclui aumento para secretários
Curitiba - Não há previsão de data para que a Assembléia Legislativa vote o projeto de lei que dobra o salário dos secretários de Estado. O líder do governo na Casa, Natálio Stica (PT), pretendia colocar o projeto em votação juntamente com o veto ao plano de carreira dos professores hoje, mas acabou recuando da decisão.
Segundo Stica, a apreciação dos dois temas polêmicos em uma mesma sessão ia acirrar ainda mais os ânimos da bancada de oposição. ''Não vale a pena dar munição para que eles fiquem discursando. É melhor deixar o assunto para outra data'', disse Stica.
O real impedimento, porém, é a falta de vontade do presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), de colocar o assunto em pauta. O projeto, que interessa ao governador Roberto Requião (PMDB), está em suas mãos desde a semana passada, mas o tucano recusa-se a submetê-lo à apreciação do plenário. Brandão não revela os motivos de sua relutância. ''A elaboração da pauta é uma atribuição do presidente da Casa, e ele entrará em discussão quando eu julgar conveniente'', responde Brandão quando questionado pelo assunto.
Especula-se que um dos motivos para a recusa de Brandão seria o prejuízo político causado à Assembléia por propor um aumento ao primeiro escalão do governo quando outros setores do funcionalismo reivindicam reajustes. Brandão preferiria que o aumento fosse proposto por uma mensagem de Requião, mas a alternativa não parece factível.
Segundo o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia, Hermes da Fonseca (PT), o salário dos secretários só pode ser aumentado através de um projeto de lei da iniciativa da Assembléia. ''Na verdade, isso devia ter sido feito antes da posse dos secretários, em 2002. Mas não há nada na lei que impeça que seja feito agora'', comentou Fonseca. (H.F.)





