Rio de Janeiro - O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, afirmou ontem no Rio que não se recusará a depor no Senado para prestar esclarecimentos a respeito da suposta propina paga pelo empresário Benjamin Steinbruch ao ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira, na época da privatização da Vale do Rio Doce, em 1997. Ele foi convidado pela Comissão de Fiscalização e Controle (CFC) do Senado. Paulo Renato afirmou que não vê problema em depor, desde que seja escolhida uma data em que não tenha compromisso agendado.
O ministro foi um dos tucanos (o outro foi o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros) que afirmou ter ouvido de Steinbruch a história do pedido de propina, no valor de R$ 15 milhões. Ricardo Sérgio, caixa da campanha do senador José Serra ao Senado, em 1994, e de FHC em 1994 e 1998, teria se oferecido para reunir fundos de pensão em torno da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de Steinbruch, vencedora do leilão. Ele geria, na ocasião, o Previ (Fundo de Pensão dos Funcionários do Banco do Brasil).
A revista ‘‘Época’, em sua edição deste fim de semana, publica reportagem na qual aponta que parte da propina foi paga por Steinbruch – o empresário teria suspendido o pagamento ao tomar conhecimento que o dinheiro estaria indo para o bolso de Ricardo Sérgio.
O ministro da Educação afirmou que, no Senado, não terá novidades sobre o episódio. ‘‘Não sei nada mais e não tenho mais nada a acrescentar ao que já foi publicado’’, disse o ministro, que esteve no Rio para comemorar o aniversário de dez anos do Programa Nacional de Incentivo à Leitura, da Fundação Biblioteca Nacional.
Paulo Renato afirmou que não conversou com o presidente desde que a revista ‘‘Veja’’ publicou, no domingo retrasado, a primeira reportagem sobre a propina. ‘‘Não falei com o presidente. Devo estar com ele amanhã (hoje) em Brasília.’’
O ministro também descartou qualquer possibilidade de o PSDB substituir o pré-candidato tucano a presidente, o senador José Serra. ‘‘Hoje, Serra tem nas pesquisas mais do que FHC tinha em maio de 1994. Acho que a condução da campanha vai bem. Não vejo que as coisas estejam mal. Tenho uma visão bastante otimista.’’

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