Paulo Costa diz que Lula interveio por sua nomeação
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sábado, 12 de setembro de 2015
Folhapress 
Brasília - Em depoimento à Polícia Federal, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que sua nomeação para o cargo contou com uma intervenção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista teria chegado a ameaçar o ex-presidente da estatal José Eduardo Dutra de demissão para garantir a indicação. Paulo Roberto disse que esse relato foi feito pelo ex-deputado José Janene (PP-PR), morto em 2010 e um dos principais personagens do esquema de corrupção. O ex-diretor disse que a pressão de Lula para a nomeação foi motivada pela disputa entre PP e PT pelo comando da Diretoria de Abastecimento da Estatal.
O PP teria bloqueado a pauta de votações da Câmara para pressionar pela indicação de Paulo Roberto. O movimento teria irritado Lula, segundo o ex-diretor. "Que, inclusive, soube através de José Janene, que o então presidente Lula ligou para o então presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, exigindo que o declarante (Paulo Roberto Costa) fosse nomeado diretor de Abastecimento da Petrobras, sob pena do próprio Dutra ser demitido do cargo", afirmou.
Aos investigadores, Paulo Roberto reforçou que acha pouco provável que Lula e a presidente Dilma Rousseff não tivessem conhecimento do esquema de corrupção. "Em razão da envergadura do esquema de corrupção montado na Petrobras, acho muito pouco provável que tanto o ex-presidente Lula, quanto Dilma Rousseff não tivessem conhecimento do mesmo; que Dilma Rousseff foi presidente do Conselho de Administração da Petrobras de 2003 a 2010 e que, portanto, deveria ter conhecimento de tudo o que ocorria na empresa".
Paulo Roberto disse que "jamais tratou com Lula ou com Dilma acerca de vantagens indevidas decorrentes de contratos da Petrobras", que considera que ambos tinham conhecimento em razão do sistema político de coalizão existente no Brasil, que exige que o governo negocie com os diversos partidos dando em troca cargos estratégicos na administração pública. O ex-diretor afirmou ainda que "os financiamentos realizados pelas empresas aos partidos são na verdade "empréstimos" feitos e cobrados quando do exercício do mandato".


