Paulo Bernardo e Miriam Belchior cotados para substituir Erenice
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quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Das agências 
Brasília - Dois nomes estavam cotados ontem para substituir a ex-ministra Erenice Guerra nos três meses e meio que restam do governo de Luiz Inácio Lula da Silva: Miriam Belchior, atual gerente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e Paulo Bernardo, ministro do Planejamento.
De acordo com informações do Palácio do Planalto, o presidente Lula só vai definir o nome de quem ocupará o posto-tampão na semana que vem. Lula tinha intenção de levar Miriam com ele para a viagem a Belém, ontem, onde participou de um comício para tentar ajudar na campanha da governadora Ana Júlia (PT), mas a auxiliar acabou não embarcando.
Tanto Miriam quanto Paulo Bernardo têm argumentos para não assumir a Casa Civil. Miriam disse ontem que ''se depender dela fica onde está'', porque ''não acho uma boa (assumir a titularidade da Casa Civil)''. Miriam é uma pessoa de confiança do presidente Lula e está na equipe de auxiliares dele desde o primeiro governo.
Já Paulo Bernardo também tem motivos para não aceitar o convite. Titular do Planejamento também desde o primeiro governo de Lula, sua saída obrigaria o presidente a encontrar um substituto para a pasta para ficar por lá durante três meses e poucos dias. E o Planejamento sob o comando de Bernardo é tido no Planalto como uma pasta azeitada, totalmente integrada às ideias do chefe.
Insustentável
Depois de se reunir ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Erenice Guerra entregou o cargo. A situação dela se tornou insustentável no governo com a publicação de reportagem na edição de ontem da Folha de S.Paulo que aponta lobby feito por seu filho dentro da Casa Civil.
No lugar de Erenice assume interinamente Carlos Eduardo Nunes, secretário-executivo.
Segundo o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, ''Lula recebeu na manhã de ontem a ministra que, por iniciativa própria, apresentou carta de demissão''.
Erenice recebeu em sua casa o ministro Franklin Martins (Secom) às 9h de ontem. Nesse encontro, foi acertada a sua saída do governo. Erenice foi chamada ao Palácio do Planalto às 11h e se reuniu com o presidente ao meio-dia.
Lobby
A exoneração de Erenice ocorre depois da publicação de reportagem na edição de ontem da Folha de S.Paulo que mostra que uma empresa de Campinas confirma que um lobby opera dentro da Casa Civil e acusa o filho de Erenice Guerra, Saulo, de cobrar dinheiro para obter liberação de empréstimo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Interessada em instalar uma central de energia solar no Nordeste, a EDRB do Brasil Ltda. diz que o projeto estava parado desde 2002 na burocracia federal até que, no ano passado, seus donos foram orientados por um servidor da Casa Civil a procurar a Capital Consultoria.
Trata-se da firma aberta em nome de um dos filhos de Erenice, Saulo, e que foi usada por outro, Israel, para ajudar uma empresa do setor aéreo a fechar contrato com os Correios - primeiro negócio a lançar suspeitas de tráfico de influência no ministério, revelado pela revista ''Veja''.
A Casa Civil confirmou ontem que houve uma reunião com representantes da EDRB em novembro na sede da Presidência, mas negou que a hoje ministra Erenice Guerra tenha participado.


