Paulo Afonso não deve ser candidato
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sábado, 05 de julho de 1997
Agência Estado Florianópolis 
Mesmo que seja salvo do impeachment, o governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira (PMDB), não deverá ter o apoio do partido para a reeleição no próximo ano. Ele até pode dizer que é candidato à reeleição, porque sempre falou isso e mudar agora seria um sinal de fraqueza, observou um experiente político do partido. Mas as bancadas e a direção do PMDB catarinense não trabalham mais com essa hipótese. Os três nomes mais cotados no partido hoje são o vice-governador José Augusto Hulse, que ficou livre do processo de impeachment; o prefeito de Joinville e ex-presidente da Câmara, Luiz Henrique da Silveira; e o secretário da Casa Civil, Eduardo Moreira.
Parece consenso no partido que Paulo Afonso prejudicou duplamente o PMDB do Estado. Além de formar uma equipe técnica, deixando muitos peemedebistas históricos de fora, ele comprometeu a imagem do partido no episódio dos precatórios. A primeira falha o governador está tentando consertar agora, levando políticos do PMDB para o governo na reforma do secretariado. Sem dúvida, o governador está fazendo esta autocrítica ao consultar o partido para reformar sua equipe, admite um assessor de Paulo Afonso.
A segunda falha, porém, será mais difícil de reparar. Mesmo que o governador não sofra o impeachment, o partido já ficou arranhado, constata um político que trabalha no governo. Segundo ele, todos os deputados chegaram a sugerir, em conversas secretas, a renúncia do governador. E mesmo depois, quando defenderam Paulo Afonso na Assembléia e nos discursos na Praça Tancredo Neves, nenhum deles chegou a falar na reeleição de Paulo Afonso.
É claro que a partir de agora teremos um novo quadro, diz um dos deputados mais influentes da bancada estadual. Mas ninguém vai esquecer que o governo Paulo Afonso ficou dois anos enclausurado no palácio, sem ouvir o partido. Na sua definição, este foi um governo sem densidade política.
PFLJá os deputados estaduais do PFL catarinense apresentaram, nesta semana, discursos divergentes, que deverão ter como consequência uma modificação no quadro partidário da Assembléia Legislativa e o benefício ao governo, com o aumento da base parlamentar de Paulo Afonso.
O líder do PFL, Onofre Agostini, defendeu ontem a independência do seu partido, que deve votar no que for melhor para Santa Catarina.
Agostini, com isso, optou pela neutralidade. Não devemos ser oposição nem situação. Mas o deputado Júlio Teixeira, relator da comissão que pediu as cassações do governador Paulo Afonso Vieira e do vice-governador José Augusto Hulse, afirmou que vai fazer oposição irrestrita, de fazer inveja ao PT.
O presidente regional do PFL, Pedro Bittencourt, também deputado estadual, acha que o PFL deve se manter independente, mas chegou a falar em renúncia caso haja uma reaproximação com o governo peemedebista. Existe até a possibilidade de Agostini, Ciro Roza e os dois outros deputados - que queriam votar contra a abertura de processo por crime de responsabilidade do vice-governador, na última quarta-feira - trocarem o PFL pelo PMDB.
Agostini e Roza manifestaram diversas vezes que prefeririam votar contra a abertura dos dois processos por crime de responsabilidade. Diziam isso até mesmo quando o PFL havia fechado questão no sentido oposto. Na ocasião, o senador Casildo Maldaner (PMDB) chegou a dizer que, se os dois deixassem o PFL, não ficariam ao relento. Ou seja, poderiam entrar no PMDB.


