Brasília - A corregedoria da Câmara já definiu o caminho para pedir a abertura de processo de perda de mandato do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical (PDT-SP). Mesmo que não haja provas do suposto envolvimento de Paulinho no esquema de desvio de dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o deputado poderá ser processado por ter ferido o Código de Ética Parlamentar, infração verificada em conversa que manteve com o advogado e ex-conselheiro do BNDES Ricardo Tosto. Na Câmara, o processo é disciplinar e não criminal.
O principal argumento para sustentar um pedido de cassação baseia-se na conversa, interceptada pela Polícia Federal (PF), entre Paulinho e Tosto no início do mês. O telefonema de Tosto a Paulinho foi feito duas horas depois de o ex-conselheiro ter deixado a carceragem da PF. No diálogo, Paulinho afirma, segundo relatório da polícia, que vai ''mexer os pauzinhos'' no Congresso para convocar o ministro da Justiça, Tarso Genro para explicar por que Tosto havia sido preso.
Essa conversa foi interpretada por procuradores e policiais como uma forma de constranger e influenciar nos rumos da investigação e, na Câmara, pode significar quebra de decoro parlamentar. Paulinho entregou ontem sua defesa ao corregedor e reafirmou ser vítima de uma ''perseguição política''.

mockup