Paulinho da Força se licencia da presidência do PDT
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quarta-feira, 11 de junho de 2008
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, anunciou ontem que está se licenciando da presidência do PDT de São Paulo e da Executiva Nacional do partido por tempo indeterminado.
Alvo de um processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, Paulinho já havia admitido a possibilidade de se licenciar do cargo para se defender das acusações.
Paulinho é acusado de envolvimento com um esquema de desvios nos empréstimos concedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O esquema foi desarticulado pela Operação Santa Tereza, da Polícia Federal.
O relator do processo no conselho, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), disse que aguarda a defesa por escrito de Paulinho para dar início aos depoimentos sobre o caso. Ontem, o deputado do PDT afirmou que não tinha pressa para encaminhar o documento porque dispõe de tempo.
Na semana passada, Paulinho disse que entregaria ontem defesa escrita sobre as acusações de envolvimento em fraudes no BNDES. Paulinho negou todas as acusações e disse ser vítima de ''perseguição'' por defender questões de interesse dos trabalhadores.
Piau disse que sua idéia é evitar a prorrogação de prazo para o processo no Conselho de Ética - que é de 90 dias podendo ser ampliado pelo mesmo período. Nesta terça-feira ele quer definir com o presidente do órgão, deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), o cronograma de atividades relativas ao caso Paulinho.
Em nota divulgada pelo presidente em exercício do PDT, deputado Vieira da Cunha (RS), o partido argumenta que o afastamento de Paulinho tem como objetivo ''preservar a sigla naquilo que a tem diferenciado ao longo dos seus 28 anos de história, qual seja o inabalável compromisso do PDT com os princípios da moralidade pública e probidade administrativa''.
Segundo Cunha, o PDT ''nunca foi, não é e jamais será lugar para corruptos''. O presidente da sigla argumenta, no entanto, que o afastamento de Paulinho ''não significa condenação do deputado, o que seria inaceitável pré-julgamento''.
Cunha afirma que o partido reafirma sua decisão de não ''compactuar com ilicitudes'', por isso decidiu acatar o afastamento de Paulinho até que as acusações sejam esclarecidas.
''O PDT espera que ao final do processo investigatório recém-autorizado pelo STF fique demonstrada a não-participação do parlamentar nos atos ilícitos apontados pela Polícia Federal, o que ensejará o recebimento do deputado Paulinho de volta às funções de dirigentes do partido das quais ora se afasta'', afirma Cunha na nota.


