Curitiba - A Folha comparou as cifras das declarações de bens dos candidatos com as previsões de gastos de campanha, estipuladas pelos partidos políticos para cada candidato ao governo, e detectou que, apesar de não serem assuntos obrigatoriamente correlatos, os gastos com as campanhas em grande parte extrapolam o patrimônio dos próprios candidatos.
No pacote de processos que contêm os bens consta também o limite de gastos de campanhas. As cifras entregues à Justiça Eleitoral refletem previsão feita pelas siglas e não o que efetivamente será gasto. Os candidatos não precisam se valer dos bens de seus patrimônios para bancar suas campanhas. A legislação eleitoral permite a captação de recursos através de doações.
Os gastos incluem a produção de programas de rádio e televisão e confecção de material de divulgação, como fotos e santinhos. O custo disso tudo não pode extrapolar o limite apresentado ao TRE sob pena de impugnação. Muito menos pode ser maquiado, sob o risco de a coligação ser acusada de estar fazendo caixa 2, como foi o PFL na campanha pela Prefeitura de Curitiba em 2000.
A campanha ao governo com previsão mais cara é a do tucano Beto Richa R$ 12,6 milhões. Sua declaração patrimonial é de 10% deste valor. A campanha com o segundo maior orçamento é a do peemedebista Roberto Requião, cujo limite foi fixado em R$ 8 milhões, bem acima do seu patrimônio de R$ 654 mil. O mesmo acontece com Padre Roque (PT). Ele tem patrimônio de R$ 254 mil, mas o teto da sua campanha está estimado em R$ 2,8 milhões.
Os limites de gastos das campanhas de Giovani Gionédis (PSC) e de Alvaro Dias (PDT), por outro lado, não são maiores que seus patrimônios. Enquanto o patrimônio de Gionédis está avaliado em R$ 4,3 milhões, sua campanha está em R$ 1 milhão. Os bens de Alvaro totalizam R$ 3,8 milhões e a campanha do pedetista não pode extrapolar R$ 2,8 milhões conforme o que foi registrado. (Com Maria Duarte)

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