Patrimônio de Cito será investigado pelo MP
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de maio de 2012
Loriane Comeli <br> <br> Reportagem Local 
O ex-secretário de Governo de Londrina Marco Cito, que já foi coordenador do Procon e ocupou as pastas de Gestão Pública e chefia de Gabinete durante o governo do prefeito Barbosa Neto (PDT), comprou em fevereiro deste ano um apartamento no Centro da cidade no valor de R$ 310 mil, onde reside atualmente com sua esposa.
O contrato particular de promessa de compra e venda do imóvel foi um dos documentos apreendidos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão ligado ao Ministério Público (MP), na casa de Cito, em 25 de abril, um dia após sua prisão em flagrante por suspeita de participação no esquema de compra de apoio político de vereadores.
A reportagem apurou que o MP deve solicitar à Receita Federal investigação sobre a compatibilidade entre o valor do imóvel e a renda de Marco Cito. Além do cargo no governo de Barbosa, Cito também é sócio-fundador de uma empresa de consultoria. O coordenador do Gaeco, promotor Cláudio Esteves, nada comentou sobre os documentos apreendidos.
Pouco menos da metade do preço do apartamento foi pago à vista: R$ 135 mil. Em 28 de fevereiro, a esposa de Cito depositou na conta do vendedor R$ 50 mil. Menos de uma hora depois, foram feitos outros dois depósitos no valor de R$ 42,5 mil cada um. O depositante identificou-se com ''C''. No dia 25 de março seriam depositados mais R$ 50 mil. O restante foi parcelado em 24 prestações. Na documentação também há notas de compra de móveis e de um veículo Peugeot 408, adquirido por R$ 68 mil em novembro do ano passado.
Para o advogado João dos Santos Gomes Filho não existem indícios de que o patrimônio de Marco Cito tenha origem ilícita. ''É apenas uma tese deles (promotores) e eu não me surpreendo pois é natural que eles queiram criar mais dificuldades no processo.''
No ano passado, durante a operação Antissepsia, o Gaeco apreendeu documentos e dinheiro na casa do presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), André Nadai, e de sua companheira, Cristiane Hasegawa, então diretora da companhia. O contrato da compra de um apartamento e a escritura (em valor menor do que o efetivamente pago) fez com que o casal fosse indiciado por falsidade ideológica e pagasse a diferença sonegada de Imposto sobre Transferência de Bens Imóveis (ITBI). O MP também investiga eventual enriquecimento ilícito do casal.


