Pastor sugere na PF que há outro dossiê
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sexta-feira, 11 de dezembro de 1998
Edson Luiz Agência Estado 
Em depoimento de mais de cinco horas ontem na Polícia Federal em Brasília, o pastor Caio Fábio DAraújo Filho negou ter intermediado a distribuição do dossiê envolvendo uma suposta conta conjunta nas Ilhas Cayman do presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro da Saúde, José Serra, o governador Mário Covas e o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, que morreu em abril passado, mas sugeriu que existe uma outra documentação.
Caio disse que tudo que foi divulgado até agora não coincide com as informações recebidas de um amigo seu na Flórida (EUA). Existem outros nomes, inclusive de uma pessoa que teria substituido Sérgio Motta na sociedade, afirmou o pastor na PF. A empresa também teria outro nome, acrescentou Caio Fábio, revelando que haveria também uma ligação entre a privatização e depósitos bancários. Ele afirmou não ter documentos para comprovar o que disse no depoimento.
Além de repetir tudo que havia dito à imprensa, o pastor deu ao delegado Paulo de Tarso Teixeira, que preside o inquérito, três novas informações. Deu um terceiro nome, do suposto substituto de Motta e de uma outra empresa que não é a CH, J&T - da qual o presidente e os ministros seriam sócios. Caio Fábio também contou que os envolvidos no caso não teriam uma simples conta conjunta em um banco das Ilhas Cayman, mas um Private Bank, que seria um pequeno banco dentro de outra instituição.
Todas as informações que passei para a Polícia Federal foram obtidas de forma oral; não tenho documentos, disse Caio Fábio, que se negou a dizer na PF o nome de seu informante, alegando segredo de confissão. Essa pessoa estava angustiada, com crise de consciência e me procurou para contar sobre o que estava acontecendo, sob confissão pastoral, afirmou o pastor. Passei as informações para algumas pessoas, como Lula, José Dirceu, a senadora Benedita da Silva e Brizola, que solicitou ao advogado Nilo Batista que desse assessoramento no caso para ver se as informações tinham consistência, explicou Caio Fábio.
O pastor afirmou que as informações levantadas pelo amigo eram de conversas informais tidas nas Ilhas Cayman e nos Estados Unidos, onde tem ligações empresariais. Um terceiro personagem, identificado apenas por inglês, fez contato com o informante de Caio, segundo ele contou na PF. O próprio pastor, com o amigo, teria se encontrado com o terceiro personagem em Fort Lauderdale, na Flórida. Esta pessoa foi ao nosso encontro e disse que tinha informações de que pessoas da esquerda no Brasil tinham interesse nos documentos e, por isso, ele mesmo tinha ligado para Leonel Brizola, no Rio, contou Caio. Só que o inglês disse que só teria chances de mostrar os papéis mediante um pagamento de US$ 1,5 milhão, acrescentou o pastor.
O advogado Nilo Batista confirmou o contato do inglês com Brizola, mas não foi feita nenhuma negociação. Batista sugeriu que Caio Fábio, a quem representa hoje, deixasse a história de lado porque estava ficando perigoso. Mas, na segunda quinzena de setembro, vi Ciro Gomes fazer algumas denúncias fortes na televisão e o procurei para falar sobre o assunto, contou Caio. Ao falar sobre o valor que o inglês estava pedindo pelos documentos, Ciro desistiu do negócio.


