Pastor muda versão para caso Cayman
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de dezembro de 1998
Eliane Azevedo, Wilson Tosta e Gilse Guedes Agência Estado 
O pastor Caio Fábio DAraújo Filho, que ofereceu a políticos de oposição o Dossiê Cayman durante a campanha eleitoral, apresentou, em mensagem enviada pela Internet a líderes evangélicos, nova versão para sua participação no caso, em que admite que desde o início os detentores da documentação exigiam dinheiro para fornecê-la. Segundo ele, inicialmente o grupo pedia US$ 4 milhões para se proteger; depois, surgiu na trama o senhor que falara português com sotaque inglês, que exigiu US$ 1,5 milhão só para mostrar a papelada. Nas versões que divulgara até então, o religioso afirmava que fora o suposto britânico que introduzira dinheiro na conversa, no meio do processo.
O assunto dinheiro surgiu sutilmente, relatou Caio Fábio. Primeiro, era para que os que diziam ter as provas pudessem se proteger, deixando o lugar onde trabalhavam. Para tanto, diziam que US$ 4 milhões os ajudariam. Disse que esse preço pelo acesso às provas era impossível de ser pago. Falei - sempre através do irmão (o fiel que lhe teria feito a confissão) em que dessem os documentos e contassem com outra forma de proteção. Depois, disseram que nos deixariam ver os documentos.
Marcamos um encontro e fomos. Lá, encontramos um senhor que falava português com sotaque inglês e que nos disse que, se quiséssemos ver, teríamos que pagar US$ 1,5 milhão. Liguei para meu advogado, que acompanhava o processo, Dr. Nilo Batista, e ele me disse: sai já daí. Saí.
O religioso repetiu na mensagem vários pontos das versões anteriores, como o de que soube da existência do dossiê por um irmão e que nunca fez qualquer tipo de intermediação financeira. Involuntariamente, porém, desmente outro ponto de suas versões iniciais, em que dizia que o inglês teria pedido dinheiro, por telefone, a Brizola. Creio que houve uma armação e que acabou me envolvendo, disse. A principal razão é que no dia em que fui ver os documentos, encontrei o senhor que falava com sotaque. Ele não disse o nome, mas disse ter falado com Nilo Batista antes de eu chegar ao lugar. Liguei para o Dr. Nilo e ele confirmou o telefonema (...).
A jornalista Cintia Fernandes Braga, citada como testemunha do relacionamento de Caio Fábio com o consultor Paulo Sérgio Rosa e o ex-presidente Fernando Collor, negou ontem, pela Internet, ter qualquer tipo de relação com o episódio. Ela afirmou que nunca viu nem falou com Collor, embora admitisse ter sido professora dos filhos do ex-presidente em 1986.
Cintia também negou ter trabalhado para Caio Fábio. Segundo ela, Oscar de Barros foi apenas um dos anunciantes do jornal, e Paulo Sérgio Rosa comprava espaço publicitário (...) para seus clientes. Ele deixou de ser cliente do jornal por divergências na linha editorial. Não converso com esta pessoa desde abril desde ano. Cintia afirmou ainda que o Star não se dedicava a atacar os inimigos de ninguém, nem os comerciantes que não queriam anunciar, mas as várias irregularidades existentes na comunidade brasileira.
O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes disse ontem que o pastor Caio Fábio garantiu, em conversa durante a campanha eleitoral, que os documentos originais com provas sobre a existência de uma conta bancária tendo como um de seus titulares o presidente Fernando Henrique Cardoso seriam vendidos por R$ 1 milhão. Caio Fábio disse que um amigo dele havia estabelecido um preço de R$ 500 mil para as cópias dos documentos e R$ 1 milhão para os originais, caso as denúncias tivessem fundamento, declarou.


