Encontrar um nome com perfil para administrar um assunto tão espinhoso como o pedágio é o outro grande desafio do governador na reforma do secretariado. Lerner tem em suas mãos uma lista com pelo menos três nomes: Rafael Greca, Carlos Eduardo Ceneviva e Cesar Silvestri. Salvo um rearranjo de última hora, um deles, ao que tudo indica, deve substituir Heinz Herwig na Secretaria dos Transportes, que cuida do problema. No início da semana, Herwig assumiu vaga de conselheiro no Tribunal de Contas (TC).
As conversas com Greca não são de agora. Antes mesmo de Heinz se licenciar do governo, para assumir a coordenação de campanha de Cassio Taniguchi, o deputado federal foi convidado para a Secretaria dos Transportes. Greca, entretanto, não mostra interesse pela pasta. Ele estaria de olho na Secretaria da Educação, comandada por Alcyone Saliba. A pasta é a única que pode lhe conferir a projeção necessária para credenciar-se à sucessão estadual em 2002.
Nos Transportes, a cada aumento da tarifa do pedágio, sua situação poderia fragilizar-se. Greca também tem sido citado como possível secretário de Desenvolvimento Urbano, no lugar de Lubomir Ficinski. O assunto, porém, não deve evoluir. Greca já teria dito a amigos próximos que quer ficar longe de pastas que tenham convênios envolvendo recursos públicos. A experiência em Brasília, quando ministro do Esporte e Turismo, não foi das mais frutíferas.
Ceneviva seria o resgaste de um integrante da equipe técnica que acompanha o governador em seus projetos urbanísticos desde 1970. Escanteado nos últimos anos, Ceneviva tem o nome agora ventilado como uma solução técnica para os Transportes. O deputado estadual Cesar Silvestri é o indicado da base de sustentação de Lerner na Assembléia para o cargo. A função não estaria atraindo mais o parlamentar, que no começo ficou bastante empolgado. O deputado descobriu um corte expressivo no orçamento da pasta, que só tem dinheiro previsto para as obras em andamento.
Dentre os secretários que pediram demissão a pedido do governador Jaime Lerner, Eduardo Sciarra, da Indústria e Comércio, é tido como um dos que não vai retornar ao governo, de acordo com uma fonte ouvida pela Folha. A condução do processo político em Cascavel, no Oeste, enfraqueceu o secretário, que foi acusado pelos pefelistas locais de forçar apoio em favor de Tiago Amorim (PTB), o candidato derrotado por Edgard Bueno (PDT). O substituto de Sciarra seria para atender uma nova composição política.
Para o lugar de Sciarra, um grupo de deputados planeja indicar o presidente da Casa, Nelson Justus (PTB). Justus perde a condição de presidente no mês que vem, quando ocorrerá a eleição pela presidência da Assembléia. Os deputados Hermas Brandão (PTB) e o líder do governo na Casa, Valdir Rossoni (PTB), se colocam como candidatos em potencial. Justus já foi secretário da Indústria e do Comércio no primeiro mandato de Lerner.
A troca de comando na Casa Civil também vai requerer habilidade. Alceni Guerra não deve retornar ao governo. Para o responsável pelo processo que detonou a reforma estaria sendo reservada outra função: o escritório político do governo em Brasília, que está sem titular desde a saída da mulher de Ricardo Barros (PPB), Cida Borghetti Barros, para concorrer à Prefeitura de Maringá. Alceni, por orientação do comando nacional do PFL, ficaria em Brasília com a missão de projetar politicamente o governador depois de renovada a equipe.
A Secretaria da Administração entra no quinto mês sem titular. Desde a saída de Maria Elisa Parcionik, está sendo tocada interinamente pelo diretor-geral Ricardo Augusto Cunha Smijtink. Para a pasta, Lerner planeja uma indicação puramente técnica. Internamente no governo, a avaliação é de que a pasta precisa de um reforço significativo. (L.D.)