Passividade de FHC assusta, diz Lula
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quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Carla Franco Agência Estado 
O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou de assustadora o que considera uma passividade do presidente da República e da equipe econômica diante da crise. Não se discute nada; só fuga de capitais, afirmou. Só se fala em mercado e não se pensa em incluir metade da população nesse mercado. Ele traçou um quadro sombrio do atual momento pelo qual passa o País. Poucas vezes, nesses meus 53 anos, eu vi o Brasil tão à deriva e a impressão que eu tenho é que o País não tem governo, ressaltou.
Lula criticou a ingerência do FMI no País e disse que o governo e a equipe econômica estão impávidos diante da crise. O petista voltou a defender a centralização do câmbio.
Lula anunciou ontem que vai chamar empresários de vários setores, em fevereiro, para debater com os petistas um novo projeto de desenvolvimento nacional. Ele não acredita no pacto contra a inflação sugerido pelo governo porque, na avaliação dele, a maioria da classe política não é séria. Mas, apesar de defender a saída do ministro da Fazenda, Pedro Malan, ele condenou a proposta do ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro (PT), que propôs a renúncia do presidente FHC.
Preocupado com a repercussão das declarações de Genro, num momento em que o PT se esforça para mudar a imagem e não parecer apenas do contra, Lula tornou pública a divergência com o gaúcho. Essa proposta do Tarso é prematura e precipitada, criticou. O povo fez uma opção, certa ou errada; FHC só tem 27 dias no segundo mandato e, se essa moda pegar, daqui a pouco, vão dizer que os governadores do PT devem renunciar também.
De qualquer forma, Lula acha que o presidente está sendo teimoso ao não demitir Malan. Não há justificativa em manter um ministro em nome da sua credibilidade internacional, disse.


