Passeata reúne dois mil contra crime organizado
Agência Folha
Cerca de 2.000 pessoas participaram ontem de uma passeata pela paz no centro de Maceió. Os manifestantes, ligados a 51 entidades, partidos políticos e a Prefeitura de Maceió cobraram também o aprofundamento das investigações contra o crime organizado no Estado. Vamos ter paz. Falta tempo e paciência, afirmou o comandante da Polícia Militar, coronel Aílton Pimentel, que esteve presente ao ato, ocorrido após a passeata.
O ato aconteceu na praça onde está localizado o prédio da Assembléia Legislativa, onde no último dia 17 de junho manifestantes enfrentaram o Exército para forçar a renúncia do então governador Divaldo Suruagy (PMDB-AL). À época, o funcionalismo público não recebia havia nove meses e Suruagy foi acusado de desvio de verbas. Depois do dia 17 de junho, Alagoas mudou. A sociedade exige o fim da impunidade e que todos os acusados sejam presos, afirmou a prefeita Kátia Born (PSB).
A manifestação foi convocada, principalmente, pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Alagoas. A entidade quer que os 22 deputados da bancada do governador Manoel Gomes de Barros (PTB-AL) abandonem a imunidade parlamentar para que as investigações possam chegar aos políticos. Há quatro deputados na lista de investigados pela Polícia Federal, que coordena as operações. O governador Barros não foi à passeata, que teve a presença até do advogado do coronel PM Manoel Cavalcante, Givan de Lisboa Soares.
Estou aqui como cidadão. Se o coronel Cavalcante não estivesse preso, estaria aqui também porque ele sempre lutou pela paz no Estado, afirmou. O coronel Cavalcante é apontado pela polícia como o líder da suposta quadrilha que roubava carros, bancos, correios e postos de gasolina, cometia assassinatos de aluguel e extorquia comerciantes. O dinheiro conseguido seria utilizado em campanhas políticas, inclusive, a do coronel, que é pré-candidato a deputado estadual.
O comandante Aílton Pimentel afirmou já estarem presos 22 policiais militares de várias patentes. Outras 11 pessoas estão presas, entre elas, uma delegada e um agente da Policial Civil. Segundo a polícia, a gangue fardada, como está sendo chamada a quadrilha, estava causando pânico entre os comerciantes do Estado, que se viam na obrigação de pagar os policiais para que seus estabelecimentos não fossem assaltados.





