Passeata 'procura' Nedson pelo Centro de Londrina
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quinta-feira, 24 de agosto de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Uma passeata pelas ruas do Centro de Londrina até a Prefeitura marcou ontem de manhã o protesto dos servidores municipais, em greve há 18 dias. Aproximadamente 500 pessoas deixaram o Calçadão da Avenida Paraná, pararam em frente ao prédio onde mora o prefeito Nedson Micheleti (PT) e, com gritos de guerra e paródias de axé-music, seguiram a pé até o Centro Cívico, onde o evento foi encerrado com uma assembléia.
A passeata percorreu as proximidades da Catedral Metropolitana, do Terminal Urbano e, após a residência do prefeito, estacou em frente à Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina. O local, dentre vários outros, tem sido usado por diversos setores do Executivo para as funções administrativas, já que o prédio-sede está fechado pelos grevistas desde o início da paralisação, no último dia 8.
Em cima de um caminhão de som que puxou o movimento, diretores do sindicato que representa o funcionalismo, o Sindserv, comandaram uma sessão de discursos contra o suposto ''desaparecimento'' do prefeito Nedson Micheleti (PT). Eles se referiam à recusa do chefe do Executivo em se sentar com os servidores para negociação de um índice de reposição. Segundo cálculos do sindicato, em cinco anos as perdas salariais somam 27,53%, decorrentes do não-pagamento da inflação.
As falas foram intermediadas por gravações com entrevistas de Nedson a uma TV local, no momento em que ele negava a concessão de qualquer índice. A Prefeitura alega que está acima dos 54% permitidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal para gastos com pessoal.
Os líderes da manifestação fizeram ainda várias menções ao Partido dos Trabalhadores (PT), chamando os participantes do evento a ter cautela nas próximas eleições. Jingles da campanha eleitoral de Nedson, em 2004, também foram tocados - especialmente os trechos que a equipe mencionava que ''a casa (a Prefeitura) tá arrumada (com as contas equilibradas)''.
Em frente à prefeitura, a assembléia se ateve ao que os grevistas classificam como tentativa de intimidação por parte da Prefeitura, em relação ao movimento. De acordo com o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, isso teria ocorrido pela ameaça de desconto dos dias parados, semana passada, às vésperas da segunda assembléia. Anteontem, a Prefeitura divulgou o resultado de uma decisão de mérito - proferida em 21 de julho passado - que indeferia mandado de segurança ao sindicato pelo não-desconto dos dias parados na greve de 2005.
A sentença assinada pela juíza da 9 Vara Cível, Cristiane Willy Ferrari, negou provimeto ao mandado de segurança por considerar legal o desconto com base na lei municipal que criou o Estatuto do Servidor. Pela decisão, a juíza entendeu que a entidade não conseguiu provar o direito líquido e certo de não ter os dias descontados, com base no Estatuto. A Prefeitura informou, via release, que a Justiça teria determinado o abatimento dos dias parados.
''Repassaram um texto mentiroso onde afirmam textualmente algo que a Justiça não determinou. Para nós, essa questão é técnica, jurídica, uma vez que essa sentença perdeu objeto quando conseguimos a nulidade do decreto municipal 123/2005'', afirmou, referindo-se ao despacho emitido em maio passado junto ao juiz da 7 Vara Cível de Londrina, José Cichocki Neto. O decreto determinava o desconto de oito dias na folha, mas o juiz considerou que a medida só poderia se efetivar mediante negociação. Ao invés disso, sublinhou, houve ''imposição'' do prefeito.
Para Urbaneja, a liminar da 7 Cível é a que está valendo. ''Sabemos que a folha de pagamento está fechada e sem os descontos. E a greve pode acabar a qualquer momento, basta o prefeito assumir seu papel e negociar uma proposta conosco. Mas que saibam que estamos atentos, sabemos o que falamos'', encerrou, mencionando os pareceres judiciais.
A próxima ação dos grevistas será sexta-feira que vem, com nova assembléia em frente à prefeitura.


