'Passe livre deve ser para quem não pode pagar'
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quarta-feira, 22 de março de 2017
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
O município ainda não divulgou qualquer detalhe sobre o projeto de lei em processo de finalização que altera os critérios para a concessão de passe livre aos estudantes de Londrina, benefício hoje estendido irrestritamente a qualquer aluno, desde a educação fundamental até o ensino superior, pós-graduação e cursos técnicos. Em entrevista concedida ontem, o prefeito Marcelo Belinati (PP) deixou clara sua posição: a isenção deve beneficiar apenas quem não pode pagar. "Nós temos que estabelecer talvez e essa é minha forma de pensar que o passe livre deve ser para as pessoas que não tem condições de pagar o ônibus", declarou.
No entanto, Belinati não especificou qual faixa de renda será contemplada. "Hoje o passe livre é liberado pra todo mundo, independentemente se o pai ganha R$ 20 mil reais, se tem carro ou não, todo mundo tem o passe livre", apontou.
Desde 2015, na gestão do ex-prefeito Alexandre Kireeff (PSD), a isenção da tarifa foi concedida a todos os estudantes. Projetou-se, para 2016, um custo de R$ 11 milhões, mas, ao final do ano, o gasto chegava a R$ 24 milhões. Para 2017, se o benefício continuar para a integralidade dos estudantes, a previsão de custo é de R$ 32 milhões, podendo chegar a R$ 60 milhões, caso todos os alunos da cidade resolvessem usufruir da isenção.
"São recursos que saem diretamente do caixa da prefeitura e vão diretamente para o caixa das empresas de transporte coletivo. E nós temos problemas graves; na saúde, por exemplo, está faltando médico, remédio; tem a buraqueira nas ruas. É isso que nós queremos debater, e ver quais são as nossas prioridades", defendeu Belinati.
Para restringir o benefício, o prefeito terá de vencer a possível resistência da Câmara, já que o projeto de concessão irrestrita do passe livre lá foi aprovado por unanimidade. "É sempre mais fácil dar benefícios do que tirar", comentou um aliado do prefeito, prevendo a dificuldade de aprovar matéria impopular. (Colaborou Diego Prazeres)


