Passarinho diz que FHC é complacente com MST
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segunda-feira, 12 de maio de 1997
Leandro Donatti Sucursal de Curitiba 
O ex-ministro Jarbas Passarinho (PPB) voltou a criticar ontem o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Passarinho, que veio a Curitiba para lançar o livro de memórias Um híbrido fértil e participar da aula inaugural da escola de formação política do PPB, disse que o presidente está sendo complascente com o Movimento dos Sem-terra (MST) - o partido político mais bem organizado nos últimos 30 anos, na sua opinião.
Essa foi a segunda vez que o ex-ministro do governo Figueiredo atacou FHC em público. A primeira foi no último final de semana quando Passarinho oficializou suas divergências e anunciou a sua debandada do Conselho de Direitos Humanos, organizado pelo governo federal para acompanhar as discussões em torno da reforma agrária. O ex-ministro discorda da postura política adotada pelo governo federal diante das manifestações organizadas pelo MST.
Ordem e disciplina não são direitos humanos e sim necessidades humanas, defende Jarbas Passarinho ao criticar o comportamento do presidente. Tudo o que está fazendo vai de encontro ao que defendia, passou de estilingue para vidraça, ironizou o ex-ministro. Segundo ele, o governo está aceitando todo o tipo de insulto sem reagir e sem trabalhar para neutralizar a violência dos dois lados. Não estou defendendo a violência com os sem terra e sim o seu controle, emendou.
Passarinho justifica a razão de considerar que o MST virou um partido político. É um movimento com formação pára-militar, que trata da capacitação política, deixando o fundamento da terra para se envolver em discussões como a privatização da Vale do Rio Doce, critica.
Plano Real Jarbas Passarinho também não poupou críticas ao Plano Real de FHC. Disse ser favorável ao Plano, quando o assunto é reduzir a inflação, mas contra a forma como a questão está sendo conduzida. O Plano Real está ancorado nos juros altos e na diferença cambial, e isso não vai durar mais que dois anos, alerta o ex-ministro, que é contra a emissão de títulos públicos no mercado financeiro.


