Passagens eram vendidas com desconto de até 35%
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quarta-feira, 29 de julho de 2009
Márcio Falcão<BR>Folhapress 
Brasília - Os depoimentos de servidores da Câmara e empresários do ramo de turismo de Brasília à comissão de sindicância que investigou a máfia das passagens revelaram que os bilhetes aéreos das cotas dos deputados eram vendidos para agências de turismo com desconto de até 35%. A investigação indica ainda que os parlamentares chegaram a fazer ligações oferecendo as sobras das cotas de passagens.
A suspeita é de que pelo menos cinco deputados tenham envolvimento direto com a máfia. Pelo esquema montado, as passagens eram adquiridas pelas agências com descontos que variavam de 15% a 35% e repassadas, na sequência, a preço de mercado para os clientes. No relatório da comissão, um dos depoimentos mais comprometedores é do sócio da agência Morena Turismo, Pedro Damião Pinto Rabelo.
O agente de turismo não nominou os políticos, mas afirmou durante depoimento à Polícia Legislativa -em um inquérito aberto em 2005- que a venda das passagens compradas da cota dos parlamentares era destinada a clientes que na sua maioria não tem qualquer vínculo com a Câmara.
No depoimento, Rabelo disse que compra passagens aéreas dos parlamentares com deságio que varia de quinze a vinte e cinco por cento e prefere não nominar os parlamentares da transação e que também negociava com secretários autorizados a movimentar créditos destinados a passagens aéreas. O relatório afirma que Rabelo continuou a transacionar créditos de passagens com deságios ainda maiores, chegando a 35% do valor nominal.
A comissão também ouviu o servidor aposentado Elói dos Santos, que reconheceu que operava transações de compra de créditos de passagens e contou que havia um empenho especial dos deputados para realizar a negociação. O parecer da comissão aponta que Santos afirmou receber a média de dez ligações por dia de pessoas lhe oferecendo créditos de passagens, sendo que a maioria dessas ligações são provenientes de parlamentares.
A reportagem não conseguiu localizar o agente de viagens nem o servidor. A comissão identificou que a máfia das passagens utilizava métodos diferentes para desviar os bilhetes da cota. O mais comum era o funcionário do gabinete vender bilhetes da cota dos parlamentares para agências de turismo. Essas empresas, por sua vez, revendiam as passagens para clientes e repassavam parte dos recursos para funcionários.
As companhias aéreas fornecem aos gabinetes senhas para que possam administrar a cota de passagens via internet. Com posse dos códigos, as agências podiam vender os bilhetes a terceiros.
Segundo reportagem publicada ontem pela Folha de S.Paulo, a venda de passagens aéreas da cota dos deputados federais rendeu R$ 118 mil para a ex-assessora de Nazareno Fonteles (PT-PI).


