O promotor especial de Defesa do Patrimônio Público, Luiz Francisco Marchioratto, ajuizou anteontem, no Fórum de Foz do Iguaçu, três ações civis por improbidade administrativa contra o prefeito Harry Daijó (PPB), o secretário de Governo, Paulo Ynoue e o secretário de Administração, Adevilson Oliveira Gonçalves. Eles são acusados de terem autorizado o uso de dinheiro público para o pagamento de passagens aéreas para parentes do prefeito e pessoas que não exercem cargos públicos.
De acordo com Marchioratto, estão envolvidas no caso das passagens 33 pessoas. Sete dos nove filhos do prefeito teriam viajado com passagens pagas pela prefeitura, além do juiz Luiz Sérgio Neiva de Lima e sua mulher Cristina, o publicitário Ricardo Cansian Neto, advogado Osmar Serraglio, eleito deputado federal pelo PMDB nas últimas eleições, Jane Rabelo e Adine Rabelo, mulher e filha do secretário de Meio Ambiente, Adilson Rabello e ainda os vereadores Ludovico Kalichevski, Sérgio de Oliveira, Emerson Wagner, Ramiro Leite e Hermes Vettorelo, que teriam ido a Curitiba para assinar fichas de filiação ao PFL.
Os danos causados aos cofres públicos com a compra irregular de passagens é de R$ 40 mil. As passagens, um total de 378, foram utilizadas de maio de 1997 a junho deste ano, a maioria para São Paulo e Curitiba.
O caso das passagens pagas pela prefeitura está sendo investigado pelo Ministério Público e pela Câmara de Vereadores desde outubro. O processo da Promotoria de Justiça já conta com 2 mil páginas.
Segundo Marchioratto, as ações foram ajuizadas para que os cofres públicos sejam ressarcidos pelos prejuízos causados com a compra das passagens. ‘‘As pessoas envolvidas que ocupam cargos públicos, além de perderem suas funções e terem seus direitos políticos suspensos terão ainda que pagar multas e serão indiciadas por crime de responsabilidade’’, afirmou.
Marchioratto disse ainda que o andamento do processo pode ser lento, devido a quantidade de pessoas envolvidas. ‘‘Ainda estamos investigando outras pessoas, que também podem estar envolvidas nessas irregularidades’’, ressaltou.
Na época da denúncia da compra das passagens, o procurador-geral da Prefeitura de Foz do Iguaçu, Ataliba, Ayres de Aguirra Filho, disse que o dinheiro gasto com as passagens para os filhos do prefeito e da mulher e filha de Rabelo - cerca de R$ 3 mil - já haviam sido devolvidos.
O promotor informou que a prefeitura encaminhou documentos à Promotoria nos quais constam os valores dos empenhos para a compra das passagens. ‘‘Mas tudo de uma forma muito desleixada, sem muita preocupação para comprovar os fatos’’, afirmou.
Ontem, a prefeitura emitiu nota oficial informando que a administração já prestou todos os esclarecimentos sobre a compra supostamente irregular das passagens aéreas junto ao Ministério Público e Câmara de Vereadores. A nota informa que as viagens de autoridades municipais exigem rapidez, já que Foz do Iguaçu fica distante dos principais centros políticos e que, atualmente, os preços das passagens aéreas é equivalente ao preço de passagens de ônibus leito. A nota não esclarece o fato de que, pessoas que não exercem cargos públicos também terem sido beneficiadas.

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