Passagem de Alvaro e Requião pelo governo foi semelhante
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sábado, 17 de agosto de 2002
Maria Duarte<BR>Equipe da Folha 
Curitiba Apesar de hoje estarem em lados contrários na briga pela sucessão do governador Jaime Lerner (PFL), os dois primeiros colocados na corrida pelo governo do Paraná, de acordo com a última pesquisa Ibope, os senadores Alvaro Dias (PDT) e Roberto Requião (PMDB), fizeram administrações bastante parecidas quando foram governadores.
Ambos foram eleitos pelo PMDB. O governo Alvaro foi de 1987 a 1990. O de Requião, de 1991 a 1994. Tanto administrativamente quanto politicamente, mantiveram pontos em comum. Ambos tiveram domínio absoluto sobre a base de sustentação na Assembléia Legislativa. Fontes próximas a Alvaro e Requião contam ainda que, frente ao Palácio Iguaçu, foram autoritários e apegados à auto-promoção pessoal.
Passagens turbulentas, vividas durante os dois governos, se avaliadas hoje, evidenciam ainda mais seus temperamentos similares. Menos intempestivo, mas tão temperamental quanto Requião, Alvaro amargou grande desgaste por ter colocado a Polícia Militar em confronto com professores, em agosto de 1988. A tropa de choque foi acionada contra o movimento dos professores e a categoria até hoje se ressente e não esconde a mágoa. A condução de todo o episódio estava nas mãos do então governador.
Já Requião, ao não conceder o reajuste salarial exigido pelos juízes do Paraná, comprou uma briga explosiva com a classe. Os juízes alegavam que o aumento estava respaldado em lei, mas Requião não concordava. A briga foi tão acirrada que culminou com um pedido de impeachment contra Requião, no final do primeiro ano de seu mandato.
Aflorando o gênio difícil, que tornou-se sua marca registrada, o então governador Requião não arredou pé e classificou de ''bobagem'' o impeachment, que o tirou do Palácio Iguaçu por uma semana.
O pedido de afastamento foi entregue à Assembléia Legislativa pelo então presidente da Associação dos Magistrados do Paraná (AMP), Luiz Cezar de Oliveira. A entidade acusou Requião de crime de responsabilidade por descumprimento de decisões judiciais referentes a ações de indenização, de reintegração de posse em invasões de áreas, e determinações da Justiça Eleitoral.
Alvaro e Requião tiveram ainda, durante os seus governos, sérios problemas com seus vices. De olho na disputa ao Senado de 1990, Alvaro Dias deixou na última hora de entregar o governo para seu vice, Ari Queiroz, temendo que o mesmo prejudicasse a eleição de Requião, seu antecessor. Na época Queiroz era mais aliado a José Richa.
Requião também ficou em maus lençóis quando entregou o governo, em abril de 1994, para concorrer às convenções presidenciais do PMDB. Assim que deixou o Palácio Iguaçu, Mário Pereira, vice de Requião, partiu para o ataque e fez duras críticas aos índices de mortalidade infantil deixados pelo seu antecessor. O mal-estar se acentuou ao final do governo Requião, quando Pereira fez de tudo para garantir uma política de boa vizinhança com Jaime Lerner (PFL).
Os pontos em comum não param por aí. O irmão de Alvaro Dias, o hoje senador Osmar Dias (PDT), secretário da Agricultura de Alvaro, permaneceu na chefia da pasta no governo Requião. Tudo para mostrar a continuidade e harmonia vivida na época pelo então ex-governador e recente governador eleito.


