Pascoal recebe primeira condenação Arquivo Folha William França Agência Folha De Brasília O ex-deputado Hildebrando Pascoal (expulso do PFL-AC, foto) foi condenado a seis anos e cinco meses de reclusão por crime contra o sistema financeiro nacional, associado com crime de sonegação fiscal e falsidade ideológica. Esta é a primeira condenação do ex-deputado, que perde assim a condição de réu primário. A decisão do juiz Pedro Francisco da Silva, da 2ª Vara de Justiça Federal do Acre, foi tomada anteontem e publicada ontem no ‘‘Diário Oficial’’ do Acre. Hildebrando era acusado de ter movimentado durante três anos recursos pessoais e de uma de suas fazendas em nome de um laranja, na verdade um peão de apelido ‘‘Querosene’’. Segundo o juiz, apesar de a conta do Banco Itaú ter grande movimentação financeira e operações envolvendo altos valores, não foi apurada a origem desses recursos – se, por exemplo, foi oriunda de operações de narcotráfico ou de lavagem de dinheiro. ‘‘Não era esse o objeto do processo’’, afirmou ontem o juiz. Segundo a Justiça, Hildebrando cometeu crime contra o sistema financeiro quando, por meio de uma conta-fantasma, conseguiu crédito e empréstimos pessoais. A sonegação foi apontada porque a movimentação financeira não foi informada à Receita Federal nem foi objeto de pagamento de impostos. A falsidade ideológica se deu porque ele utilizou-se de um laranja para operar a conta bancária. Hildebrando está preso desde o final do ano passado na cadeia pública federal em Rio Branco (AC). A ‘‘Papudinha’’ é a primeira instituição prisional num Estado que tem carceragem e vigilância feitas pela Polícia Federal. Se os advogados de Hildebrando não recorrerem da decisão, essa se tornará a primeira sentença contra o ex-deputado. Há outros seis processos contra ele, três deles na Justiça Federal, dois na Justiça comum e outro na Justiça Eleitoral. O juiz Silva disse que espera concluir até o final de março dois processos em que Hildebrando aparece como autor de homicídios. Eles estão na fase de alegações finais, aguardando apenas que o Ministério Público Federal dê o seu parecer. Depois, o juiz decidirá se o ex-deputado deve ir ou não a júri popular. O processo em que Hildebrando é acusado de liderar associação criminosa para fins de narcotráfico, numa rede em que há 52 acusados, deve estar concluído em abril. O juiz Silva está concluindo a fase de tomada de depoimento das 192 testemunhas indicadas pela defesa – uma média de 40 pessoas são ouvidas por semana. A última audiência está marcada para o dia 10 de março.