Hugo Marques
Agência Estado
De Brasília
O deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC) perdeu apoio de todas as bancadas do Congresso e poderá ser cassado nos próximos dias no plenário da Câmara. Ontem à noite, quando a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) votava parecer do relator Inaldo Leitão (PMDB-PB), sugerindo a cassação de Pascoal, até a bancada evangélica se mostrou favorável à perda do mandato do deputado do Acre.
O deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ), um dos principais coordenadores da bancada evangélica no Congresso, disse que Pascoal deveria ‘‘escolher melhor as companhias’’. O parlamentar do Rio mostrou-se surpreso quando Pascoal se disse evangélico, numa entrevista. Rodrigues afirmou que Pascoal, se realmente fosse evangélico e pautasse a vida pela religião, não estaria enfrentando o atual ‘‘aperto’’.
Todos os parlamentares que haviam discursado até o início da noite condenaram a atitude de Pascoal em admitir que deu bilhetes com salvo-conduto a traficantes de drogas e contrabandistas. Também a atitude do deputado federal sem partido do Acre em admitir que daria os bilhetes novamente e ainda dizer que os parlamentares são iguais a ele.
Leitão, além dos bilhetes, apresentou o voto favorável à cassação de Pascoal, também com base na resistência do parlamentar do Acre a uma ordem de busca e apreensão da Justiça Eleitoral, usando uma escopeta.
O deputado Ricardo Fiúza, que quase foi cassado por envolvimento com a máfia que desviava recursos do Orçamento da União, mostrou-se indignado com parlamentares que estavam abrindo o voto. Fiúza disse que o regimento prevê votação secreta. O deputado José Roberto Bartocchio (PDT-SP), que presidia a mesa da CCJ, disse que os parlamentares não estavam impedidos de manifestar o voto. A CCJ informou hoje que vai pedir proteção policial ao deputado Robson Tuma (PFL-SP), que mais levantou provas contra Pascoal.

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