Curitiba - O rigor da lei e da anunciada fiscalização por parte da Justiça Eleitoral estão reduzindo as expectativas dos partidos com relação à arrecadação de recursos para a campanha. No rastro dos escândalos do mensalão e do valerioduto, a lei tornou mais rígida e transparente a demonstração dos gastos e receitas dos candidatos. Representantes dos partidos preferem não avaliar o resultado que as mudanças devem provocar porque ainda não foram a campo buscar dinheiro, porém todos acreditam que a arrecadação e consequentemente os gastos este ano serão menores.
''A nova legislação é um esforço da sociedade para evitar problemas como o do mensalão e outras situações obscuras'', defende o professor de ciências políticas da Pontifícia Universiade Católica (PUC) do Paraná e doutor em filosofia do direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Antônio Celso Mendes. Para o professor a nova legislação é uma tentativa de tornar ''atividade política mais honesta''. Mas este ''esforço'' pode complicar o trabalho dos tesoureiros, principalmente na hora de angariar o dinheiro daqueles que não gostam de divulgar seus nomes. ''Vai dificultar a arrecadação porque agora as pessaos vão ter medo de doar de forma ilegal. Pode até ocorrer o caixa 2, mas o risco de ser denunciado é maior'', acredita Mendes.
O presidente do comitê financeiro da campanha à reeleição do governador Roberto Requião (PMDB), Milton Buabssi, já prevê uma realidade diferente da vivida na campanha de 2002. ''Supomos que teremos dificuldades. Mas ainda não fomos a campo para arrecadar'', explicou. O PMDB registrou um teto máximo de gastos no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de R$ 15 milhões. Buabssi afirmou que este valor é alto porque este ano não pode haver mudanças posteriores. ''Pode ser que a gente não arrecade nem R$ 5 milhões. Pelos meus cálculos pode ser que não atinjamos nem um terço do valor registrado'', analisou.
As dificuldades financeiras que o Brasil vive atualmente pode ser outro empecilho na arrecadação este ano, na opinião de Jorge Gomes Rosa Filho coordenador financeiro da campanha ao governo do Estado de Rubens Bueno (PPS). O teto de gastos registrado no TRE pela coligação de Bueno foi de R$ 4,9 milhões, mas Rosa Filho também acredita que o partido não vai conseguir arrecadar tudo isso. ''A realidade está sendo diferente'', explicou.
O teto estipulado pela coligação do candidato ao governo do Estado pelo PDT, Osmar Dias, foi de R$ 11 milhões, mas o coordenador financeiro da campanha, o vereador de Curitiba Jorge Bernardi, também prevê dificuldades para atingir este montante. ''Eu sei que os empresários de bem vão contribuir. Mas sinceramente acho que vamos ter algumas dificuldades'', ponderou.
Para o tesoureiro do PT, o ex-vereador de Curitiba Pedro Paulo Costa, a arrecadação para a campanha de Flávio Arns deve ser menor que o programado, R$ 4,913 milhões. Ele aponta como solução o financiamento público de campanha (o governo, com dinheiro público, bancaria as campanhas eleitorais). Costa acredita também que as denúncias de caixa 2 na campanha presidencial de 2002 podem trazer dificuldades na arrecadação. ''Mas por outro lado vai servir do ponto de vista pedagógico. E o PT puniu todos os envolvidos, coisa que nem todos os partidos fazem'', defende o tesoureiro.

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