Partidos travam 'guerra' de filiações
Partidos travam guerra de filiações
Mário CésarALUCINANTEAlvaro Dias, presidente do PSDB do Paraná: Troca de partidos sempre acontece, mas nunca vi nessa intensidadeA dez dias do prazo final para quem vai disputar as eleições, siglas trabalham em ritmo intenso para caçar aliados
Agência Estado
De Brasília
Em todo o Brasil, os partidos políticos travam uma guerra de filiações que atingiu um nível considerado inédito até mesmo pelos dirigentes das principais legendas. O prazo final para filiação de quem deseja disputar as eleições municipais de 2000 se encerra no dia 30, e era previsível que houvesse um vaivém de lideranças em função do próximo pleito.
O que não se esperava era um ritmo tão intenso: na última semana, em média, um prefeito trocou de partido no País a cada hora e cinco deputados estaduais mudaram de legenda por dia. No plano federal, 11 deputados migraram para outro partido ou estão em processo para se transferir até o dia 30. Sem contar ex-prefeitos ou ex-deputados federais que pretendem voltar à cena política em 2000.
Troca de partidos sempre acontece, mas nunca vi nessa intensidade, admitiu o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que comanda a legenda no Estado. No Paraná, o PSDB está funcionando em regime de plantão, com filiações sendo feitas até mesmo aos sábados e domingos. Estamos filiando gente todos os dias, e conseguimos, na última semana, 40 prefeitos, um deputado federal (Alex Canziani, ex-PTB e ex-PFL), além da promessa de dois estaduais nos acompanharem, disse, afirmando, contudo, que o quadro deve mudar pela mobilização desencadeada pelo governador Jaime Lerner (PFL) para deter o avanço tucano.
Hoje, Lerner anuncia a filiação de cerca de 50 prefeitos, mais de 10% do total paranaense, no partido. A assinatura de fichas está marcada para às 14h30, na sede do PFL em Curitiba. O governador pode aproveitar a oportunidade para anunciar o novo secretário do Trabalho, em substituição a Alex Canziani, que assume nesta semana sua cadeira na Câmara Federal.
Lerner trabalha ainda para estancar a dança desencadeada na Assembléia Legislativa do Estado. Amanhã, tenta convencer o deputado Luiz Carlos Alborghetti, o Cadeia, a não deixar a sigla. Muitos dos que foram para o PSDB este mês vão sair do partido antes do final de setembro, entusiasmados com promessas de liberação de verbas e parceria em programas governamentais, disse Alvaro Dias, ao comentar a filiação em massa preparada pelo PFL de Lerner.
Para o senador tucano, não somente as próximas eleições justificam uma migração desse tamanho, mas também o fantasma de uma reforma política que acabe com a infidelidade partidária e restrinja o número de partidos. O pensamento a longo prazo está imperando em grande parte das trocas; políticos que não pretendem se candidatar ano que vêm já estão se filiando porque temem não poder fazê-lo depois para as eleições de 2002, disse.
É o caso do empresário mato-grossense Blairo Maggi, que ingressou no PPS para concorrer ao governo em 2002, e do ex-deputado Sandro Mabel (GO) que saiu do PMDB rumo ao PFL, pensando em retornar para a Câmara daqui a três anos. (Colaborou Leandro Donatti)





